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Igreja de Braga apoia candidaturas de romarias a património imaterial

Igreja de Braga apoia candidaturas de romarias a património imaterial
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Publicado em 20 de abril de 2017, às 10:48

Bispo Auxiliar de Braga agradeceu o trabalho que está a ser desenvolvido

O bispo auxiliar de Braga D. Francisco Senra Coelho expressou ontem o «total apoio» da Igreja de Braga ao processo de registo das romarias do Minho no Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial.

O apoio foi manifestado na abertura do VI Encontro de Romarias do Minho, que se realizou no santuário de São Bento da Porta Aberta, com a participação de mais de duas dezenas de representantes de associações de festas, irmandades, confrarias e municípios.

«A Igreja sente uma alegria muito grande neste trabalho, nesta compreensão, nesta descoberta do valor das nossas romarias e apoia e deseja os maiores sucessos a esta pretensão», disse D. Francisco Senra Coelho.

Vinte e quatro romarias minhotas estão envolvidas neste movimento, que surgiu em 2015 por iniciativa do presidente da Associação de Festas de S. João de Braga, Rui Ferreira, e que tem por objetivo final apresentar à Unesco uma candidatura única da Romaria do Minho a Património Imaterial da Humanidade. 

Para isso é necessário que as entidades responsáveis por estas romarias submetam e vejam aprovado o seu registo a nível nacional para serem consideradas património cultural e imaterial.

Ontem, foi dado mais um passo neste projeto, já que a Irmandade de São Bento da Porta Aberta revelou que pretende registar a romaria de S. Bento no Inventário Nacional do Património Cultural até ao fim do ano.

A Câmara de Barcelos e a Irmandade do Senhor do Bom Jesus da Cruz também já estão a fazer um trabalho de inventariação da Festa das Cruzes e esperam ter o trabalho concluído ainda este ano.

Mais adiantada está a romaria de São Bartolomeu do Mar e Banho Santo, que já apresentou o registo há cerca de um mês e aguarda agora aprovação, disse a vereadora da Cultura do Município de Esposende, Jaqueline Areias. 

O presidente da Associação de Festas de S. João realçou os avanços que já foram conseguidos desde que foi formado o movimento.

«Dez a 12 romarias já estão com o processo a decorrer e algumas com o processo bastante adiantado, o que é um sinal positivo deste movimento que faz em junho dois anos que surgiu», disse Rui Ferreira, que espera que outras propostas possam avançar também a partir destas sinergias.

«Teremos todos a ganhar com isso, quer as próprias romarias que valorizam a sua identidade, quer o Minho enquanto região que tem nas romarias o seu elemento mais caraterístico», notou.

Este sexto Encontro das Romarias do Minho contou com a intervenção do diretor do Museu Nacional de Etnologia, Paulo Costa, que fez o enquadramento legal do procedimento técnico-científico que deve sustentar todos os processos de registo no inventário nacional.

O prazo de conclusão do registo, disse o técnico, depende de vários fatores, desde logo do modo como é formalizado cada pedido de registo no inventário nacional, mas também do número de processos que estejam à frente para serem apreciados.

«Se cada processo estiver absolutamente rigoroso, sólido, muito bem fundamentado, muito bem documentado, de acordo com a legislação, em seis meses é possível obter essa inscrição no inventário nacional», indicou Paulo Costa.

O presidente da Câmara de Terras de Bouro enalteceu este projeto articulado com as autarquias, referindo que a preservação e divulgação do património cultural e religioso «faz todo o sentido numa sociedade alheada das suas raizes histórico-culturais e religiosas e onde a vertigem da inovação tecnológica e das redes sociais faz, não raras vezes, esquecer quem somos e quem fomos».

«É imperiosa a preservação do património religioso dada a importância histórica e também económica do seu legado cultural e espiritual. Temos que encontrar caminhos comuns de valorização deste nosso património constituído pelas romarias do Minho», acrescentou Cracel Viana.

D. Francisco Senra Coelho felicitou os promotores por escolherem o segundo maior santuário de afluência de romeiros e peregrinos de Portugal para a realização deste encontro, no qual esteve também o reitor da basílica de São Bento da Porta Aberta. 


Autor: Jorge Oliveira