Oadministrador executivo da Braval defendeu ontem a construção de uma incineradora que possa servir toda a região litoral noroeste.
Pedro Machado, em declarações aos jornalistas à margem do Dia Aberto inserido na Semana Europeia da Prevenção de Resíduos, sustentou mesmo que este equipamento podia ser construído nos terrenos da Braval, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), havendo vontade política para tal.
Segundo realçou, volvidos 20 anos, a Braval continua a fazer aquilo que menos deseja fazer, que é colocar resíduos em aterro sanitário. «As pessoas, infelizmente, ainda não separam os resíduos para a reciclagem como deviam fazer. É lamentável que em 2022 só consigamos retirar 17 mil toneladas das 105 mil toneladas que recebemos aqui anualmente. Portanto, as pessoas só separam 17 mil toneladas. E, nos resíduos que vêm nos camiões do lixo, os resíduos diferenciados, 40 por cento são resíduos recicláveis, ou seja, resíduos passíveis de ser reciclados. É lamentável que as pessoas em casa não separem», salientou o administrador executivo da Braval. Para Pedro Machado, esta é uma questão de cidadania e de educação. «Nós andamos há 27 anos a massificar e temos que continuar a massificar a educação e a sensibilização ambiental, mas lamentavelmente os adultos ainda não fazem esta separação dos lixos», disse. Pedro Machado acredita que as gerações mais jovens estão sensibilizadas para esta questão, contudo, sustentou, ainda há muito a fazer. «E a prova é que nós temos cem mil toneladas de resíduos que vem nos camiões dos lixos dos municípios e, na caracterização desses resíduos, 40 mil toneladas, ou seja 40 por cento, são vidro, papel, plástico, esferovite, madeira, que deveriam ter sido colocados nos ecopontos», salientou.
Assim, para Pedro Machado, o litoral noroeste, ou seja, Esposende, Viana do Castelo, Valença, Barcelos, Braga, Guimarães e Vila Real, tem que ter uma solução para valorizar este refugo para não para aterro.
«A solução ou é uma incineradora, ou uma unidade de valorização energética, para colocar estes resíduos, para produzir energia», salientou, Questionado sobre o que é que está a impedir esta solução, o administrador da Braval afirma que esta terá de ser uma decisão política e estratégica nacional.
«Nós temos que continuar a massificar a reciclagem, porque o importante é que estes resíduos, que podem ser reciclados, deixem de ir para o resíduo indiferenciado, e sejam colocados nos ecopontos. Mas, já que eles não vão, nós não podemos meter a cabeça debaixo da areia», acrescentou. Na sua opinião, a solução podia passar por uma insineradora como tem a Lipor e a Valor Sul. «Estas são infaestruturas que não contaminam, não poluem, não estragam» realçou Pedro Machado.
Separação dos lixos podia gerar poupança de dois milhões de euros
O administrador executivo da Braval sublinha que a separação dos lixos na área de ação desta empresa podia gerar uma poupança de dois milhões de euros por ano.
Segundo explicou Pedro Machado, se as 40 mil toneladas de lixo que podiam ser colocadas em ecopontos deixam-se de vir nos resíduos indiferenciados, os municípios cobravam nas faturas dos clientes cerca de menos 800 mil euros. E a TGR, taxa de cerca de 22 euros por tonelada de lixo que entra no aterro sanitário cobrada pela União Europeia, representaria outra poupança de mais um milhão de euros.
«Portanto, nós, os munícipes da Braval podíamos poupar cerca de dois milhões de euros por ano. Isto, numa família com dois filhos são cerca de 60 euros por ano», salientou.
Assim, Pedro Machado salientou que é necessário continuar a apostar na massificação da educação para a reciclagem.
Autor: José Carlos Ferreira