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Especialistas debatem em Vila Verde o futuro dos Caminhos de Santiago

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Evento reúne especialistas de quatro países
Fotografia DR

Mara Soares

Jornalista

Publicado em 06 de novembro de 2026, às 19:22

XI Colóquio Internacional, dedicado aos Caminhos Ribeirinhos, termina este sábado em Prado.

O XI Colóquio Internacional «Caminhos de Santiago», dedicado este ano ao tema «Os Caminhos Ribeirinhos», termina este sábado no Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica, na Vila de Prado, em Vila Verde. Iniciado esta sexta-feira, o encontro reúne investigadores, historiadores e especialistas de Portugal, Espanha, França e Itália para debater a história, a valorização e os desafios dos itinerários jacobeus.

A sessão de abertura foi presidida pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Manuel Lopes, que destacou a importância de preservar os Caminhos de Santiago enquanto património histórico, cultural e religioso.

Também Paulo Sá Machado, comissário-geral dos colóquios, recordou que as dez edições anteriores decorreram em São Pedro de Rates, com a participação de especialistas de dez países, e destacou a continuidade da iniciativa, sob o lema «O sonho… continua».

Entre as primeiras comunicações, Nuno Ferreira, da Turismo do Porto e Norte de Portugal, abordou o processo de certificação do Caminho de Torres, recentemente reconhecido como Caminho Português de Santiago, e a promoção destes itinerários enquanto produto turístico, cultural e patrimonial.

Já o historiador Cástor Pérez Casal dedicou a sua intervenção ao Caminho Jacobeu Minhoto Ribeiro, antigo percurso de peregrinação que ligava o Norte de Portugal a Santiago de Compostela. Com uma identidade assente na história, natureza, termalismo e vinho, este itinerário desenvolveu-se ao longo de antigas vias de circulação, utilizadas desde a época romana e medieval. A investigação permitiu ainda identificar uma antiga rede de hospitais e percursos de peregrinação, reconstruindo um corredor histórico de ligação entre Braga, o Minho e Santiago de Compostela.

O programa incluiu também comunicações sobre os ex-votos nos santuários, os 1200 anos da descoberta do túmulo atribuído ao Apóstolo Santiago e a Via da Prata ou Caminho Mozárabe, no percurso pela província de Ourense.

O primeiro dia ficou ainda marcado pela inauguração da exposição iconográfica «Caminhos de Santiago», comissariada por Paulo Sá Machado, que reúne documentos, gravuras e imagens recolhidos ao longo de várias décadas de investigação.

Os participantes tiveram igualmente oportunidade de visitar o Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica, onde decorre uma feirinha de artesanato.

 

Inteligência artificial em debate este sábado 

Os trabalhos terminam este sábado, com uma sessão dedicada aos desafios contemporâneos dos Caminhos de Santiago.

Entre os temas em análise está a utilização da inteligência artificial e da análise de dados na gestão dos fluxos de peregrinos, procurando novas abordagens à organização dos itinerários face ao crescimento da mobilidade e da procura.

O programa inclui ainda uma reflexão sobre o impacto do Caminho na Europa enquanto espaço de contacto cultural e linguístico entre povos, nomeadamente através da circulação de peregrinos, religiosos e viajantes entre a Península Ibérica e outros territórios europeus.

A última sessão contempla também uma intervenção dedicada a Triacastela, território ligado ao Caminho Francês, seguindo-se a leitura das conclusões do XI Colóquio Internacional na Vila de Prado.