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Projeto inovador em medicina de precisão melhora tratamento do cancro no Norte

Projeto inovador em medicina de precisão melhora tratamento do cancro no Norte
Fotografia Egidio Santos/U.Porto

Luísa Teresa Ribeiro

Chefe de Redação

Publicado em 11 de outubro de 2026, às 22:22

Consórcio composto pelo IPO Porto e i3S na final dos Regiostars

O consórcio Porto Comprehensive Cancer Centre Raquel Seruca (Porto.CCC), composto pelo Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO Porto) e pelo i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, desenvolveu o projeto TeamUp4Cancer, que abrangeu mais de 1500 doentes e impulsionou a investigação na região.

Este é único projeto português entre os 25 finalistas dos Prémios Regiostars – uma competição anual promovida pela Comissão Europeia para distinguir os melhores projetos financiados pelos fundos da Política de Coesão –, concorrendo na categoria “Uma Europa Competitiva e Inteligente” , sendo que a votação do público decorre até quarta-feira.

Com um orçamento de 17,6 milhões de euros, o projeto contou com cerca de 15 milhões de euros de financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), atribuído através do programa regional NORTE 2020, gerido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

O presidente do Conselho de Administração do IPO Porto, Júlio Oliveira, revela que estas verbas permitiram criar o primeiro programa de medicina de precisão em oncologia e a primeira unidade de ensaios clínicos de fase precoce em oncologia no país, reforçando a capacidade de investigação e de tratamento do cancro.

Este responsável especifica que o desenvolvimento da medicina de precisão permitiu que, até à data, mais de 1500 doentes tivessem acesso a uma caraterização genética detalhada dos tumores, o que possibilitou a uma «percentagem importante» destes doentes aceder a mais opções de tratamento.

Em cerca de 12% a 15% dos casos, o estudo dos tumores permitiu que fossem encontradas novas opções tratamento, depois de já terem sido esgotadas as terapêuticas convencionais. «Houve um impacto concreto na vida de pessoas. Isto tocou a vida de doentes, que passaram a aceder a um diagnóstico genético mais aprofundado e a ensaios clínicos a que, de outra forma, não teriam tido acesso», declara.

O projeto também possibilitou a contratação de várias dezenas de profissionais e o desenvolvimento da atividade de investigação conjunta entre o IPO Porto e o i3S. «Este impulso permitiu aumentar a competitividade não só da região, mas também do país, numa área tão difícil e tão carenciada de investimento, que é a investigação contra o cancro», afirma.

Júlio Oliveira destaca a fixação de cientistas, a geração de cinco patentes e a atração de mais ensaios clínicos para Portugal. «Na sequência deste projeto e deste investimento, conseguiu-se atrair outros investimentos na ordem de várias dezenas de milhões de euros. Portanto, este projeto teve um efeito multiplicador para a região Norte», explicita.

Este responsável entende que é necessário que o setor da saúde seja cada vez mais visto como um fator de competitividade e de alavanca da economia, em vez de uma fonte exclusiva de despesa. Como exemplo, aponta a Catalunha, onde as ciências da vida e a investigação biomédica assumem um peso significativo na economia regional.

Constituído em 2011, o consórcio criado pelo IPO Porto e pelo i3S é o único no país com reconhecimento internacional como Centro Compreensivo do Cancro, através da Organização Europeia dos Institutos do Cancro. O consórcio integra investigação, inovação e prática clínica, aproximando a descoberta científica das necessidades dos doentes oncológicos e acelerando o desenvolvimento de novas estratégias de diagnóstico e tratamento.

A ambição passa por reforçar a capacidade da região para desenvolver investigação, realizar ensaios clínicos e atrair profissionais altamente qualificados. «É essencial conseguir criar condições e ter infraestruturas para que estes profissionais, depois de adquirirem experiência no estrangeiro, possam regressar e concretizar os seus projetos de vida profissional e pessoal na região onde nasceram», acrescenta.

A nomeação como finalista dos Prémios Regiostars entre 274 candidatos é vista como uma oportunidade para dar visibilidade internacional à investigação desenvolvida no Norte e reforçar a capacidade de atrair novas parcerias e investimentos. A votação pode ser efetuada aqui, até 11h00 de quarta-feira.
 

Instituições criam rede regional de cuidados oncológico

© IPO Porto

Proporcionar o acesso ao melhor padrão de cuidados contra o cancro em toda a região é o objetivo da Infraestrutura Compreensiva de Cancro do Norte de Portugal, que reúne o Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO Porto), o i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, as Unidades Locais de Saúde de Braga e do Alto Ave e a Liga Portuguesa Contra o Cancro.

O presidente do Conselho de Administração do IPO Porto, Júlio Oliveira, explica que a meta é tratar os doentes «independentemente do seu código postal», para que todos tenham acesso aos mesmos cuidados, quer morem no Porto, em Braga, em Viana do Castelo ou em Bragança.

O estratégia não é concentrar todos os tratamentos no IPO Porto, mas estabelecer mecanismos de cooperação que permitam tratar os doentes perto de casa sempre que seja possível e encaminhá-los para cuidados mais diferenciados apenas quando necessário. «O essencial é assegurar a articulação entre as instituições e os profissionais de saúde, para que quem beneficie deste trabalho seja o doente», explica.