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Farmácia do Prado: 300 anos depois, a receita continua a ser a confiança

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Fotografia Vasco Alves

Rita Cunha

Jornalista

Publicado em 25 de setembro de 2026, às 18:19

Espaço celebrou hoje três séculos de história junto de parceiros, responsáveis por entidades e amigos

Há lugares que acabam por fazer parte da memória de uma terra. A Farmácia do Prado é um deles. Ao longo de três séculos, foram muitos os que passaram pela sua porta, uns para levantar medicamentos, outros para pedir um conselho, procurar ajuda ou, simplesmente, conversar. É essa relação humana que a proprietária e diretora técnica, Sameiro Rebelo, considera estar no coração dos 300 anos de história.
Fundada em 1726, a Farmácia do Prado é apontada como a primeira farmácia aberta ao público em Portugal. Nasceu com uma missão de serviço à população, particularmente aos mais pobres. «Abriu com um propósito: servir as pessoas, servir a população, principalmente os mais pobres, de uma forma gratuita», recorda.


Para Sameiro Rebelo, esta não é apenas uma história que conhece. É uma história que vive desde criança. Tinha «quatro ou cinco anos» quando começou a frequentar a farmácia, onde o pai trabalhava como técnico. Foi ali que nasceu também o interesse pelas Ciências Farmacêuticas. Licenciou-se em Coimbra e, há 35 anos, assumiu a direção técnica e a propriedade daquele que já era um espaço profundamente ligado à sua vida.
Desde então, acompanhou a transformação da farmácia e da própria profissão. Vieram novas exigências, novos serviços, novas tecnologias e uma oferta mais diversificada. «Tivemos que inovar, tivemos que alterar, crescer», explica. Mas, apesar de tudo o que mudou, há algo que permaneceu. «O respeito, a honestidade, o rigor e a confiança» são, para a diretora técnica, os pilares que permitiram à Farmácia do Prado atravessar três séculos. E essa confiança traduz-se numa relação que vai muito além da dispensa de medicamentos. «Somos o primeiro prestador de cuidados de saúde. Servimos de confidentes, de conselheiros, de técnicos, de orientadores», afirma. É também por isso que muitos clientes continuam a procurar a farmácia quando se sentem menos bem, antes mesmo de recorrerem a outros serviços.


Ao celebrar 300 anos, Sameiro Rebelo pensa também no futuro e na forma de preservar o que recebeu. O espólio da farmácia é reduzido, mas algumas peças serão entregues ao Museu da Farmácia: um jornal do Grémio de 1949, uma Farmacopeia Portuguesa de 1936 e uma sinopse farmacêutica de 1914.
A decisão encerra uma preocupação profundamente pessoal. «Eu não vou estar cá para sempre para poder dar a conhecer e dar continuidade à farmácia», admite, desejando, contudo, que a história permaneça: «Se estiver no Museu, geração após geração, ficará presente e será sempre lembrada a Farmácia do Prado», explica.
As comemorações começaram no início do ano e prolongam-se até dezembro, com sorteios mensais e iniciativas solidárias. A próxima acontece a 5 de outubro, sendo a farmácia parceira numa caminhada promovida pelo Lar do Trabalhador.


No final, os 300 anos não são apenas uma celebração do passado. São uma homenagem às pessoas que fizeram e continuam a fazer parte desta história. Porque, como resume Sameiro Rebelo, «a farmácia é importante porque existem clientes, porque existe uma população, uma comunidade que permite dar continuidade a este projeto no futuro».
Não foram encontrados registos sobre o dia exato da fundação da Farmácia do Prado, apenas do ano. O dia de hoje foi escolhido por se tratar do Dia Nacional do Farmacêutico. O momento juntou parceiros, clientes, responsáveis políticos e pela área da Farmácia em clima de amizade. 
À margem, o vice-presidente da Câmara de Vila Verde, Manuel Lopes, salientou a referência que a Farmácia do Prado é para o concelho e a sua capacidade de se «reinventar ao longo do tempo». Já Félix Carvalho, presidente da Secção Regional do Norte das Farmacêuticas, realçou um «testemunho de séculos» e o serviço de proximidade prestado.