twitter

Tribunal de Ponte de Lima decide que Rebordões Santa Maria participa nas Feiras Novas

Tribunal de Ponte de Lima decide que Rebordões Santa Maria participa nas Feiras Novas
Fotografia DR

Redação/Lusa

Publicado em 09 de setembro de 2026, às 15:34

O cortejo etnográfico realiza-se no sábado à tarde

O Tribunal de Ponte de Lima decidiu que a Junta de Freguesia de Rebordões Santa Maria vai participar no cortejo etnográfico das Feiras Novas, que começam hoje e se prolongam até segunda-feira.

Segundo o acórdão, datado do dia 03, a que a agência Lusa teve hoje acesso, o tribunal determinou “suspender os efeitos da decisão” da Associação Concelhia das Feiras Novas “de excluir” a freguesia de Rebordões Santa Maria (PSD) de participar no cortejo etnográfico das Feiras Novas, que se realiza no sábado, às 15:30.

O tribunal julgou “totalmente procedente, por provado”, o procedimento cautelar movido pela Junta de Freguesia de Rebordões Santa Maria, depois de a Associação Concelhia das Feiras Novas ter decidido não permitir a sua participação nas festas.

O tribunal condenou ainda a associação que organiza as festas a “abstenha-se de impedir ou obstar à participação da freguesia no referido cortejo, sem prejuízo do cumprimento por parte da Junta das regras gerais de organização, segurança e funcionamento previamente estabelecidas e aplicáveis aos participantes”.

Na decisão, o tribunal alerta a Associação Concelhia das Feiras Novas que, “caso infrinja a providência cautelar decretada, incorre na prática do crime de desobediência qualificada”.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da Associação Concelhia das Feiras Novas e vereador na Câmara de Ponte de Lima, Gonçalo Rodrigues (CDS-PP), garantiu que “cumprirá com qualquer sentença que lhe seja transmitida” e escusou-se a prestar mais declarações, remetendo os esclarecimentos para um comunicado emitido pela associação.

Nesse comunicado, a que a Lusa teve hoje acesso, a direção da Associação das Feiras Novas revela “ter tomado conhecimento da intenção do presidente da Junta de Rebordões Santa Maria de introduzir um trator com cisterna, alegadamente para contestar a falta de investimento na rede de saneamento”.

Segundo a direção, a decisão surgiu após uma conversa de preparação para o cortejo entre os responsáveis da Associação Concelhia das Feiras Novas e o presidente da Junta de Freguesia de Rebordões Santa Maria, tendo a “hipótese de introduzir ao tema previamente comunicado (os moinhos) o tema do saneamento, com recurso à utilização do trator com cisterna”.

A direção da associação afirma que a decisão de excluir a freguesia não foi “tomada de ânimo leve”, mas “com responsabilidade e consciência que as Feiras Novas estão acima de qualquer pessoa ou instituição”.

“O cortejo etnográfico é um dos momentos maiores das Feiras Novas. É nele que as freguesias se apresentam perante a comunidade e largas dezenas de visitantes, revelando os seus usos, costumes, tradições e património Não é, nem poderá sequer colocar-se a hipótese de vir a ser, palco para conflitos institucionais, reivindicações ou confrontos de qualquer natureza”, frisa a direção da associação.

O presidente da Junta de Freguesia de Rebordões Santa Maria, Vítor Gonçalves, invocou como uma das causas da polémica “divergências políticas com a Câmara de Ponte de Lima”.

Referiu também que a associação não terá gostado de a freguesia ter decidido mudar o tema do quadro a integrar o cortejo etnográfico, definido desde janeiro.

Vítor Gonçalves explicou que há mais de 20 anos que a freguesia era representada por feijões, produto agrícola que o autarca diz não representar a freguesia.

“Este ano decidimos que o tema são os moinhos. Na nossa freguesia, por exemplo, há 22 moinhos, é das freguesias no concelho de Ponte de Lima que tem o número maior de moinhos”, frisou Vítor Gonçalves.

O autarca social-democrata disse ainda que a decisão de mudar o tema foi tomada numa reunião que juntou a população da aldeia, que classificou como “discriminação” a decisão da associação de excluir a freguesia.

O presidente da junta adiantou ter tentado por várias vezes falar com o presidente da associação, sem sucesso, tendo alertado que iria mover a providência cautelar.

No sábado a freguesia vai desfilar no cortejo etnográfico para mostrar os moinhos da aldeia.