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Fé e tradição resistem ao mau tempo na festa de S. Bartolomeu do Mar

Fotografia Francisco de Assis

Francisco de Assis

Jornalista

Publicado em 24 de agosto de 2026, às 19:28

Gentes da freguesia do concelho de Esposende e devotos de S. Bartolomeu não se intimidaram com as condições adversas

A fé, a tradição, a cultura, a história e os costumes de um povo mostraram, hoje, mais uma vez, a sua força e enraizamento nas localidades, resistindo a tudo, incluindo as intempéries. De facto, ontem, apesar do vento e da chuva forte e persistente, que se abateu sobre grande parte do País, a festa de São Bartolomeu do Mar, em Esposende, fez-se, ainda que com naturais limitações e dificuldades.

E pode dizer-se que não faltou nada do que é habitual. Os banhos santos, a eucaristia, que pela primeira vez teve “honras” de bispo, neste caso D. Delfim Gomes, Bispo Auxiliar de Braga; as galinhas prestas a serem adquiridas ou levadas de casa, para passarem debaixo do andor de São Bartolomeu, pagamento de promessas, os doces e produtos locais da freguesia, entre outros usos e costumes locais.

Devido à chuva inesperada e muito rara, pelo menos durante a manhã, o negócio dos guarda-chuvas e capas de proteção foi o mais bem sucedido.

Na sua homilia, D. Delfim Gomes, Bispo Auxiliar de Bragha, começou por revelar que no Evangelho encontramos o Apóstolo São Bartolomeu com o nome de Natanael, presentado a Jesus por Filipe. Ele que ficou conhecido por ter feito a pergunta preconceituosa: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?»

Para D. Delfim, esse foi o primeiro traço de Bartolomeu. «Um homem verdadeiro, que não disfarça o que pensa, não é cínico, mas é exigente. Não se deixa levar por entusiasmos fáceis, quer ver, quer confirmar, quer encontrar a verdade», disse, frisando que é precisamente este homem, com as suas dúvidas e reservas, que Jesus chama para ser Apóstolo.

E recebeu de Cristo um grande elogio. «Eis um verdadeiro israelita em quem não há fingimento», disse, realçando que «Deus não chama pessoas perfeitas. Chama pessoas reais. Jesus não escolhe apenas aqueles que já têm uma fé madura e sem perguntas».

Para o Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Braga, ao revelar a identidade de Jesus, o Filho de Deus, o Rei de Israel»,  Bartolomeu faz uma «profissão de fé luminosa, imediata, quase explosiva». Afinal, aquele que começou por perguntar se de Nazaré podia de vir alguma coisa boa, termina por confessar a identidade de Jesus. «Torna-se testemunha ardente. Isto é o caminho da fé, caríssimos irmãos. Isto é o caminho da nossa fé. Passar da pergunta ao encontro».

D. Delfim recordou que, segundo a tradição, Bartolomeu levou o Evangelho até terras longínquas. Enfrentou perseguições e deu a vida por Cristo. «A autenticidade tornou-se fidelidade até ao fim».

A propósito do convite de Filipe, a Natanael, vem e vê, D. Delfim Gomes considera que esta é talvez uma das formas mais bonitas de evangelizar. «Não precisamos de grandes discursos. Às vezes basta dizer com a própria vida. Vem e vê. Vem e vê uma comunidade que perdoa. Vem e vê uma família que permanece unida nas dificuldades. Vem e vê alguém que serve sem procurar reconhecimento; vem e vê um cristão que sofre, mas não perde a esperança. Vem e vê alguém que reza não porque a vida seja fácil, mas porque descobriu em Cristo uma presença que não abandona. A evangelização começa muitas vezes assim. Não com argumentos, mas com uma vida que torna visível aquilo que enuncia