A Romaria d’Agonia, de Viana do Castelo, viveu ontem, provavelmente, o seu dia mais icónico com a eucaristia solene, seguida da Procissão ao Mar. E, uma vez mais, uma multidão composta por vianenses, turistas, nacionais e estrangeiros associaram-se à festa e ouviram o bispo de Viana do Castelo, D. João Lavrador, a apontar a fé e a vida dos pescadores como inspiradoras para a Igreja e para a sociedade.
Simbolicamente dentro do barco em terra, juntamente com alguns sacerdotes e o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, D. João Lavrador, à semelhança de Cristo, centrou a sua intervenção nos pescadores a quem agradeceu a «fé simples», a perseverança e a ajuda que dão na interpretação.
«Estamos aqui a olhar para aqueles que, no dia-a-dia, tal como Pedro e Tiago, tal como aqueles que faziam parte daqueles barcos que estavam a limpar as redes, também hoje, vós, pescadores, sois aqueles que nos interpelais. «Vós sois para nós uma metáfora. Sois aqueles que, com a vossa atividade, com a vossa persistência, nos ajudais a ler os caminhos da vida, seja trilhando os caminhos da fé ou, pura e simplesmente, desafiando os nossos comportamentos na sociedade atual», considerou o prelado da diocese do Alto Minho.
Com os andores da Senhora d’Agonia, São Pedro Apóstolo, Nossa Senhora da Conceição e São Bartolomeu dos Mártires perfilados antes de ocuparam os seus lugares nos respetivos barcos, D. João Lavrador insistiu na lição de vida dos pescadores.
«Caros pescadores, afinal, vós hoje continuais a ser para nós esta grande metáfora que está no Evangelho e que é preciso hoje introduzir na vida. Reparem que Jesus diz a Pedro, lança novamente as redes. Aqui está o grande contraste. Dizer ao homem do tempo de hoje, absolutamente seguro de si próprio, iludido nas suas próprias certezas, a olhar apenas para o sucesso material, dizer lança as redes. Ele diria não, porque não tive sucesso. Outra realidade é aquela que é pautada por uma relação de confiança no amor», disse.