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Zero exige esclarecimentos sobre etapa da Volta que passa em “zona crítica” do Gerês

Zero exige esclarecimentos sobre etapa da Volta que passa em “zona crítica” do Gerês
Fotografia DR

Redação/Lusa

Publicado em 11 de julho de 2026, às 10:48

A associação ambientalista lembra que o PNPG “é a única área classificada como Parque Nacional em Portugal

A Zero exigiu hoje esclarecimentos à Federação de Ciclismo e ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) sobre a etapa da Volta a Portugal em bicicleta que passa em “zona crítica” do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável refere que a “passagem da prova pela Mata de Albergaria [no concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga] e outras zonas protegidas do Gerês, carece de esclarecimento público”.

A Zero conta que tomou conhecimento, através da apresentação do percurso da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta, de que a 7.ª etapa (13 de agosto, Vieira do Minho – Termas do Gerês) atravessa o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), “incluindo a subida inédita a Germil [concelho de Ponte da barca] e uma incursão em território espanhol junto à fronteira”.

A associação ambientalista lembra que o PNPG “é a única área classificada como Parque Nacional em Portugal, integra a Zona Especial de Conservação Peneda/Gerês e inclui zonas de proteção parcial e total — como a Mata de Albergaria, classificada Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa — sujeitas a regras específicas de circulação, acesso e uso do solo rústico”.

“A Zero reconhece o valor de dar visibilidade internacional ao território do Gerês, mas sublinha que essa visibilidade não pode ser conseguida à revelia dos instrumentos de proteção que existem precisamente para salvaguardar este património único”, defende.

Segundo a associação ambientalista, “a organização de um evento desportivo de grande escala — com caravana publicitária, viaturas de apoio, afluência de público e cobertura televisiva internacional — numa área nacional classificada levanta questões que exigem resposta pública e atempada”.

Nesse sentido, a Zero questiona que autorizações foram solicitadas e concedidas pelo ICNF para a passagem da prova pelo PNPG, incluindo pelas zonas de proteção parcial e total.

“Foi realizada alguma avaliação de impacte relativo à perturbação sobre a fauna e habitats classificados? Como se compatibiliza a circulação da caravana publicitária e viaturas de apoio com as restrições de trânsito em vigor nas vias florestais do Parque e com o risco de incêndio?”, questiona também a Zero.

A associação ambientalista revela que solicitou à Federação Portuguesa de Ciclismo e ao ICNF esclarecimentos sobre a situação, apelando a estas entidades e também à organização da prova “a tornarem público o traçado exato e a documentação de autorização referente à passagem pelo Parque Nacional, permitindo um escrutínio informado por parte da sociedade civil”.

“Áreas protegidas não são um cenário disponível para qualquer evento: a sua classificação implica limites que têm de ser respeitados, sob pena de se esvaziar de sentido o próprio regime de proteção. A Zero continuará a acompanhar este processo e reserva-se o direito de solicitar formalmente ao ICNF e à tutela do ambiente esclarecimentos adicionais”,acrescenta a Zero.

A 87.ª edição da Volta a Portugal em bicicleta vai decorrer entre 05 e 16 de agosto, unindo Lisboa e Porto ao longo de 1.388 quilómetros, distribuídos por um prólogo, nove etapas em linha e um contrarrelógio.