twitter

Pais de Vilar de Mouros procuram três crianças para evitar fecho de jardim de infância

Pais de Vilar de Mouros procuram três crianças para evitar fecho de jardim de infância
Fotografia DR

Redação/Lusa

Publicado em 06 de julho de 2026, às 16:05

Sete crianças inscritas e dez é o número mínim exigido.

Pais e mães de Vilar de Mouros, em Caminha, estão à procura de três crianças para matricular até 15 de julho e evitar o encerramento da escola que tem cantina e transporte escolar gratuito, revelaram hoje à Lusa.

“Por causa de três matrículas há a possibilidade de não abrir a turma de Jardim de Infância [JI]. E, se não abrir, a Escola Básica [EB] acaba também por fechar. É uma escola que teve grandes obras, tem cantina, tem atividades extracurriculares [AEC], tem transporte gratuito. É uma perda muito grande”, frisou Joana Fernandes, doméstica de 37 anos, mãe do Pedro e do Luís, que vão iniciar o 3.º e 4.º ano de escolaridade.

Tânia Carrilho tem a filha de 5 anos matriculada no JI e aflige-se com a possibilidade de mudança: “Ela tem necessidades especiais e vive na mesma rua da escola. Já está habituada às auxiliares, à educadora, às crianças. Teria de começar tudo de novo”.

“Quero acreditar que ainda é possível que o JI não feche. Ainda nem pensei muito como será se for preciso mudar”, admite.

Joana Fernandes explica que “faltam três inscrições para fazer as 10”, o número mínimo para uma turma.

“Se tivéssemos mais, aceitávamos mais, mas esse é o problema. Faltam-nos as três, quanto mais o resto, não é?”, desabafa.

O problema tem “alguns anos”, porque na aldeia “há pouca oferta de trabalho” e muitas famílias que residem naquela freguesia de Caminha, no distrito de Viana do Castelo, “levam os filhos para as zonas onde trabalham”, descreve a Joana Fernandes.

“Já há algum tempo que queremos alargar as AEC para o jardim de infância, porque, neste momento, é a razão pela qual a maior parte dos pais não inscreve os miúdos aqui, porque não têm esse horário flexível”, observou.

De acordo com a mãe, no fim do ano letivo, na festa de finalistas, havia 18 crianças (JI e EB) na Escola da Torre, em Vilar de Mouros, onde residem cerca de 730 pessoas, de acordo com o presidente da junta.

Atualmente, diz Joana Fernandes, “na EB ficam cinco crianças e no JI só há sete inscritos, quando 10 é o número mínimo de crianças para abrir uma turma”.

“No ano passado nasceram aqui sete crianças e daqui a dois anos, se calhar, não têm escola ou JI para frequentar na freguesia deles. Acho que é um bocado triste”, lamenta.

O apelo às três matrículas circula nas redes sociais, mas os pais já tinham feito panfletos que andaram a “entregar porta a porta para elucidar as pessoas sobre o transporte gratuito, sobre a alimentação e as AEC”, recorda.

Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, José Maria Barros, manifestou preocupação.

“Já fizemos reuniões para angariar crianças, temos publicitado. Mais do que isso não podemos fazer. A questão diz respeito à escola”, afirmou.

A coordenadora da escola remeteu esclarecimentos para o coordenador do Agrupamento de Escolas de Caminha, Pedro Magalhães, que a Lusa tentou contactar, mas sem sucesso até ao momento.