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"Cambedo 1946" do Teatro de Balugas ganha prémio internacional em Espanha

Fotografia DR

Redação/Lusa

Publicado em 22 de junho de 2026, às 19:18

A peça “Cambedo 1946”, do Teatro de Balugas, de Barcelos, foi distinguida como melhor espetáculo internacional nos Prémios Escenamateur Juan Mayorga das Artes Cénicas, promovidos pela Confederação de Teatro Amador de Espanha, anunciou a companhia.

Em nota publicada no Facebook, o Teatro de Balugas refere que, acima de tudo, a distinção “honra a memória de Cambedo da Raia, aldeia portuguesa marcada, em 1946, pela violência das duas ditaduras ibéricas”.

“No ano em que se assinalam os 80 anos deste acontecimento, este prémio lembra-nos que o teatro continua a ser lugar de memória, encontro e resistência”, acrescenta.

O prémio distingue o melhor espetáculo de teatro amador apresentado fora de Espanha.

Com texto e encenação de Cândido Sobreiro, “Cambedo 1946” retrata a aldeia raiana de Cambedo, em Chaves, que, em 1946, foi cercada por forças repressivas de ambas as ditaduras ibéricas e bombardeada com morteiros.

“O resultado foi gente morta, ferida e presa. Sobre o assunto caiu um ignominioso silêncio, o que se passou foi obscurecido e deturpado pelos fascismos ibéricos durante décadas”, refere a companhia de Barcelos.

O trabalho é um espetáculo narrativo, utilizando a linguagem do corpo, sonoridades e elementos visuais como extensão dessa narrativa, para contar a história de uma fronteira que não impediu a solidariedade de dois povos, mas também não conteve um ataque militar concertado por Portugal e Espanha.

O Teatro de Balugas nasceu na freguesia de Balugães, Barcelos, distrito de Braga, e inspira-se na cultura popular do Minho e do noroeste peninsular.

“É teatro feito na aldeia, acreditando que este trabalho comunitário manterá viva a identidade desta, enquanto espaço de criação, numa luta contra o desaparecimento do mundo rural, da festa feita nas terras pelas gentes que contavam apaixonadamente as suas crenças, tradições e costumes, de uma certa ideia de progresso que não serve homens nem comunidades”, lê-se na página da companhia.

Diz ainda assumir-se como “uma história de resiliência e continuidade, onde a cultura popular de gerações resiste nas mãos de um punhado de artistas anónimos que pisam o palco de balugas ou borzeguins (botas altas com atacadores), de onde deriva o topónimo da aldeia de Balugães”.

Fundada em 2007, a companhia conta com mais de 25 criações teatrais levadas a palco, com textos originais.

O Teatro de Balugas organiza anualmente o Festival de Teatro Amador do Noroeste Peninsular e é responsável pelo Clube UNESCO para a Salvaguarda do Teatro em Línguas Minoritárias.