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Apresentação de livro de médico humanista revela valores da arte do cuidar

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Fotografia DM

Publicado em 20 de junho de 2026, às 21:18

Obra " Murmúrios da minha vida" expõe a alma do pediatra Gonçalves Oliveira

O grande auditório da Biblioteca Pública de Vila Nova de Famalicão ficou hoje completamente lotado na cerimónia de apresentação pública do novo livro do pediatra Gonçalves Oliveira. 

A diligente equipa afeta à biblioteca que honra o escritor Camilo Castelo Branco não se poupou a esforços para acrescentar várias dezenas de cadeiras para acomodar os colegas de profissão, familiares e amigos que beneficiaram dos valores humanistas que nortearam a  dedicação profissional do médico que nasceu em Guimarães, escolheu Braga para residir e construiu uma carreira profissional de dezenas de anos em Famalicão, em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Isso enquanto dedicava boa parte dos poucos tempos livres a cuidar das crianças e jovens mais desfavorecidas, com consultas regulares inteiramente grátis em várias instituições da região, nomeadamente o Centro Social Padre David de Oliveira Martins, na freguesia bracarense de Ruílhe, que continua a beneficiar do apoio do médico que se aposentou do SNS aos 70 anos de idade, depois de 50 anos de inscrição na Ordem dos Médicos.

Obra poética expressa momentos de felicidade e dramas da vida de um médico 

Momentos antes da cerimónia de apresentação do livro “Murmúrios da minha vida”, editado pelo Diário do Minho e ilustrado por Romão Figueiredo, o autor da obra confidenciou ao Diário do Minho que o livro de poemas espelha «momentos felizes» e «alguns dramáticos» da «alma de um médico».

«É um livro que, em forma poética, condensa factos que foram ocorrendo ao longo da minha vida de cinco décadas dedicadas ao Serviço Nacional de Saúde e que retratei no momento em que aconteceram», disse Gonçalves Oliveira, acrescentando que cada poema «espelha um bocadinho, com verdade, aquilo que eu senti». 

Sentimentos que «foram muito variados ao longo da vida», salientou, para destacar que pertence «a uma geração de médicos que fez a simbiose entre a medicina do João Semana e a medicina de ponta».

«Eu, como outros médicos, fomos exemplos disso», continuou, para defender que o Serviço Nacional de Saúde que «tem evoluído muito»
 

Valorizar a qualidade do Serviço de Saúde
 

Gonçalves Oliveira começou a exercer a especialidade de pediatria numa altura e que a taxa de mortalidade infantil em Portugal era elevadíssima. Ainda muito recentemente, o país tinha uma mas baixas taxas de mortalidade infantil do mundo, o que espelha a enorme evolução que os portugueses tiveram ao nível dos cuidados de saúde, com a criação do SNS.

Embora reconhecendo que nos tempos de hoje «já não há tanta disponibilidade» dos profissionais para prestar cuidados de saúde gratuitos a quem não os pode pagar, Gonçalves Oliveira não duvida que o SNS «continua a evoluir». Isso graças ao avanço tecnológico, que permite que haja «cada vez mais recursos», mas que, «por isso mesmo, implica mais dinheiro para o setor da saúde».

O médico que podia ter sido tudo menos um homem de causas sem nobreza 

Na detalhada apresentação da obra, Mário Martins, professor e dirigente associativo, vincou que o pediatra Gonçalves Oliveira «podia ser presidente de câmara; podia ser ministro; podia ser primeiro-ministro; e podia ser até Presidente da República». 

Isso por que «tem qualidades mais que suficientes para isso», sublinhou Mário Martins, para avançar com uma explicação pessoal dos motivos que levaram o médico que chegou a Diretor do Serviço de Pediatria do Centro Hospitalar do Médio Ave a não querer sair da prestação de cuidados de saúde.

«Eu penso que ele não enveredou por esta via, porque teria de deixar cair algumas características, atributos e qualidades que são intrínsecos à sua pessoa e preferiu os caminhos da bondade e da humanidade», sublinhou Mário Martins, destacando que como sublinha a autora do prefácio do livro “Murmúrios da minha vida” «sente-se [na obra] um homem de causas, do politicamente correto, da crítica ao populismo, ao desperdício, à corrupção, ao abandono, ao desemprego, às doenças da saúde, à globalização e à má utilização de fundos».

O docente que assumiu o desafio de explicar às centenas de presentes na sessão de apresentação da obra não podia ter sido mais claro. Na obra publicada no âmbito de uma parceria com o Grupo Diário do Minho, Gonçalves Oliveira, que é há décadas colaborador assíduo do jornal, o autor revela a sua própria essência.«O doutor Oliveira, para além de boa pessoa, é também um grande filantropo, amigo e companheiro do ser humano», resumiu.

Obra é fruto de uma longa parceria

 O livro “Murmúrios da minha vida” é também o resultado de «uma colaboração intensa» entre Gonçalves Oliveira e o Grupo Diário do Minho. 

na sessão pública de apresentação do livro, o diretor-geral da empresa, Luís Carlos Fonseca, destacou o trabalho «intenso» do médico pediatra, enquanto colaborador do jornal, que tem motivado a “parceria” na edição de outras obras do pediatra e escritor. 

«É com enorme satisfação que, em nome do Grupo Diário do Minho, assinalamos hoje mais um momento importante no nosso percurso editorial: a apresentação do livro “Murmúrios da minha vida”, que revela sinais de humanidade», sublinhou Luís Carlos Fonseca, agradecendo a confiança do autor no Grupo Diário do Minho, para o qual continua a escrever artigos de opinião de «grande relevância», sendo «muitos deles escritos já de madrugada», salientou Luís Carlos Fonseca.