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Márcio Lopes e Renato Cunha premiados na Gala Paixão Pelo Vinho

Márcio Lopes e Renato Cunha premiados na Gala Paixão Pelo Vinho
Fotografia Tomás Mondim

Luísa Teresa Ribeiro

Chefe de Redação

Publicado em 25 de maio de 2026, às 21:25

Vinhos e gastronomia do Minho em destaque.

O enólogo Márcio Lopes, da Adega Pequenos Rebentos, em Melgaço, e o chef Renato Cunha, do restaurante Ferrugem, em Vila Nova de Famalicão, foram premiados na “Gala Paixão Pelo Vinho 20 anos”, colocando o Minho em destaque no evento que decorreu no Casino da Figueira, na Figueira da Foz.

Numa noite de festa, que assinalou duas décadas da revista “Paixão Pelo Vinho”, a iniciativa distinguiu, a 15 de maio, a excelência do vinho, da gastronomia e do enoturismo, com a atribuição de prémios aos melhores do setor em Portugal.

Márcio Lopes brilhou nesta cerimónia, ao ser distinguido com o Prémio Produtor de Vinhos Tranquilos do Ano e com seis referências entre as 50 galardoadas com o Prémio Prestígio. O enólogo arrecadou o maior número de referências na lista de vinhos que a revista classificou com 19 e 20 valores nos últimos dois anos: da marca Pequenos Rebentos, na Sub-região Monção e Melgaço, foram distinguidos o Touché 2022 e o Viagem ao Princípio do Mundo 2021, ambos com 19 pontos, enquanto no Douro, sob a marca Proibido, foram premiados o Garrafeira 2017 com 19,5 pontos, o Vinha Velha do Pombal 2022 também com 19,5 pontos, o Vale do Rio Pinhão 2022 e o Vinha da Luísa 2022, ambos com 19 pontos.

«Receber esta distinção como Produtor de Vinhos Tranquilos do Ano é um enorme orgulho e, acima de tudo, um prémio de equipa. Tenho a felicidade de trabalhar com pessoas muito dedicadas e comprometidas, que acreditam verdadeiramente no projeto e nos vinhos que fazemos. Este reconhecimento pertence a todos os que fazem parte do Márcio Lopes Winemaker», afirma.

Relativamente à distinção com referências nos Vinhos Verdes e no Douro, considera que estes prémios «mostram que está a ser desenvolvido um trabalho consistente e de qualidade nas duas regiões». «São territórios muito diferentes, mas onde procuramos trabalhar sempre com o mesmo respeito pela vinha, pela identidade de cada lugar e pela autenticidade dos vinhos», diz.

Márcio Lopes é considerado um dos enólogos mais criativos do país, capaz de fazer vinhos surpreendentes a partir de castas esquecidas e de vinhas difíceis, num percurso que tem sido marcado por inúmeros prémios. O nome conceituado não o impede de continuar a experimentar, embora com a preocupação de dar consistência a um projeto que nasceu com «a missão de fazer vinhos que expressem o melhor da natureza».

Depois de ter passado pela Austrália, em 2008, no início da carreira, começou o percurso em Portugal, em 2010, destacando-se o trabalho com vinhas velhas. «Começámos a recuperar vinhas que outros produtores não queriam. Nós começámos a usá-las e fazer algo novo a partir daí», explica, dizendo que a equipa gosta de «responder a desafios». «Se fosse fácil, toda a gente fazia», constata.

Num setor cada vez mais mecanizado, o trabalho de Márcio Lopes tem contribuído para a preservação de sistemas de condução em risco de desaparecimento, como ramadas ou vinhas de enforcado. «Portugal faz parte do velho mundo do vinho, com vinhas com imensa idade e uma cultura vitivinícola super-enraizada. Não faz sentido estar a arrancar as vinhas antigas e plantar novas só porque sim. Há muito a fazer com aquilo que foi implantado há muitos anos com determinada intenção. É um legado vitícola que temos de manter», declara.

Em relação ao trabalho que desenvolve, que também passa pela Ribeira Sacra, a zona de viticultura heroica na Galiza, refere que há «um conceito, uma história e pessoas por trás de cada rótulo» que lança para o mercado. Os seus vinhos são exportados para mais de 20 países.

 

Aplauso para a gastronomia minhota

Renato Cunha, do restaurante Ferrugem, em Portela, concelho de Famalicão, foi distinguido com o Prémio Cozinheiro Tradição na gala dos 20 anos da revista “Paixão Pelo Vinho”.

O chef mostrou-se «grato e muito honrado por esta distinção», destacando que, sob o ponto de vista gastronómico, «o Minho é uma região absolutamente ímpar», pela diversidade e pela multiplicidade cultural, que tira partido do mar, do campo e da montanha, em articulação com «a hospitalidade minhota, reconhecida por todos como sendo absolutamente extraordinária». «É uma cozinha que merece ser elevada», defende.

Em relação ao trabalho que desenvolve, explica que «é pegar o receituário tradicional e apresentá-lo de uma forma mais contemporânea, no Ferrugem. Noutras iniciativas, como é o caso do “Ir com Sede ao Pote”, [na qual a comida é cozinhada em potes de ferro, ao ar livre, num ambiente de convívio], o receituário é apresentado de forma mais pura e dura, mas desempoeirada. A melhor forma de respeitar a tradição é poder elevá-la e ter a ousadia de dizer que iremos atualizá-la ligeiramente, sem perder a sua matriz tradicional e sem perder a grande identidade que a cozinha minhota tem».

Renato Cunha faz questão de manter a identidade da sua cozinha, desde sempre ligada à utilização de produtos locais e aos laços com a comunidade, que se identifica com o seu trabalho. «Temos uma horta de produção biológica, vamos começar a criar galinhas de raças autóctones portuguesas. A ideia é acrescentar camadas para ter um cluster integrado na aldeia, em Portela», revela.

Como complemento ao restaurante, o Ferrugem acaba de abrir um mini-hotel de charme na Casa da Eira, com dois quartos e um espaço polivalente, usado para os pequenos-almoços, como loja e como local para a realização de eventos, por exemplo jantares exclusivos ou provas de vinho.

Questionado sobre o atual momento da restauração, considera que, no cômputo geral, é preciso «pensar no modelo de negócio e de que forma é que os projetos podem continuar a ser vibrantes». Em seu entender, o setor tem de trabalhar para a satisfação dos clientes, em vez de dar palco à figura do chef.

Para além destes dois premiados, a lista de nomeações da região incluiu Asun Carballo (Soalheiro) no galardão Enólogo Revelação; João Gaspar (Vercoope) no Enólogo Vinhos Espumantes; Barcos Wines (Adega Ponte da Barca e Arcos de Valdevez) na Adega Cooperativa; Vila Galé Collection Ponte de Lima/Paço do Curutelo no Enoturismo; e Quinta da Lixa (Vinho Verde) no Produtor de Mérito. O vinho Quinta da Lixa Único 360 Private Collection foi distinguido com o Prémio Prestígio.

Para a diretora da “Paixão Pelo Vinho”, Maria Helena Duarte, esta edição teve um significado «muito especial». «Esta gala foi sobretudo um momento de gratidão e reconhecimento para todos os que caminharam connosco ao longo destes 20 anos. Mas mais do que celebrar um aniversário, quisemos homenagear pessoas, projetos e percursos que ajudam diariamente a elevar o nome de Portugal através do vinho, da gastronomia e dos territórios. O orgulho no caminho feito é enorme, mas ainda maior é a vontade de continuar», confidenciou.

 

Prémios celebraram a excelência

A Gala Paixão Pelo Vinho Awards 2026 reuniu produtores, enólogos, chefs, escanções, empresários, profissionais da restauração e personalidades do setor, numa noite dedicada à celebração da excelência do vinho, da gastronomia e do enoturismo portugueses.

Os Prémios Especiais contemplaram cinco distinções, que reconheceram percursos de exceção no universo da gastronomia, do vinho e da intervenção social em Portugal.

A chef Lídia Brás foi distinguida pelo seu contributo para a valorização da cozinha portuguesa contemporânea e pela defesa de uma gastronomia enraizada na tradição, com forte ligação às suas raízes no nordeste transmontano.

Seguiu-se a distinção de Laura Regueiro, produtora da Quinta da Casa Amarela, no Douro, e pioneira na liderança feminina no setor vitivinícola. Apesar de não ter conseguido estar presente no evento, Laura Regueiro vai receber o prémio em mãos, entregue pelos diretores da revista.

Por seu turno, o prémio especial atribuído à Fundação ADFP – Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional reconheceu o trabalho desta instituição ao longo de três décadas no apoio a crianças, jovens, idosos, pessoas com deficiência, refugiados e populações vulneráveis. Com cerca de 7500 utentes apoiados anualmente, a Fundação tem vindo também a afirmar-se na valorização do território através do vinho, enquanto instrumento de preservação de castas, dinamização agrícola e desenvolvimento local, destacando-se iniciativas como o Condeixa Wine Fest.

Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a entrega do prémio Paixão Pela Cozinha ao chef Nuno Diniz, que por motivos de doença não pôde estar presente, tendo o galardão sido recebido pela sua irmã, Isabel Zuzarte.

Este ciclo encerrou com a distinção de Luís Pato, uma das figuras mais emblemáticas do vinho nacional, com o prémio Paixão Pelo Vinho. Conhecido como “Senhor Baga”, destacou-se pela forma inovadora como valorizou a casta Baga na Bairrada, conciliando tradição e inovação.

Nos galardões por categorias, na área dos vinhos, Paulo Nunes foi distinguido como Enólogo de Vinhos Tranquilos, enquanto Osvaldo Amado recebeu o prémio de Enólogo de Vinhos Espumantes e Carlos Agrellos o de Enólogo de Vinhos Generosos. O troféu de Enólogo Revelação foi para Mafalda Perdigão.

Na produção, a Quinta das Bágeiras destacou-se como Produtor de Vinhos Espumantes, a Ode Winery recebeu o prémio de Produtor Revelação e a Quinta do Noval como Produtor de Vinhos Generosos. A Casa Ermelinda Freitas recebeu o prémio Produtor de Mérito, enquanto a Carmim foi reconhecida na categoria Adega Cooperativa.

O prémio Terroir & Viticultura foi atribuído à Adega do Vulcão, enquanto o prémio de Enoturismo foi entregue à Fitapreta – Paço do Morgado de Oliveira e a Rota da Bairrada foi distinguida como Destino Vínico. Já Marc Pinto, do restaurante Fifty Seconds, recebeu o troféu de Escanção.

Na gastronomia, António Bóia, do JNcQUOI, recebeu o prémio de Cozinheiro de Mérito. O restaurante Ó Balcão, em Santarém, venceu na categoria Restaurante de Terroir, e o Rocco, em Lisboa, foi distinguido como Restaurante de Charme. O prémio Mesa e Copo foi atribuído ao restaurante 3 Pipos, localizado em Tondela.

Os Troféus Paixão Pelo Vinho contaram com a assinatura da J. M. Gonçalves Tonnellerie, tendo sido concebidos como peças de design inspiradas na relação entre madeira, vinho e tempo. A combinação entre madeira e acrílico simbolizou a ligação entre tradição, técnica e contemporaneidade, numa homenagem à barrica e ao papel da tanoaria na construção de grandes vinhos.