A empresa Resulima garantiu hoje manter "o seu compromisso com o serviço público que presta” em Viana do Castelo, escusando-se a comentar as críticas às falhas na recolha de resíduos urbanos de que foi alvo na reunião da câmara.
Na quarta-feira, na reunião ordinária do executivo municipal, a presidente do conselho de administração dos Serviços Municipalizados de Viana do Castelo (SMVC) acusou a Resulima de “não estar a fazer o seu trabalho” de recolha de resíduos urbanos.
A vereadora Carlota Borges frisou “ser incomportável para os SMVC continuarem a substituir a Resulima na recolha do plástico e cartão”.
“A Resulima não está a fazer o seu trabalho. Não está. Diariamente somos alertados para ecopontos cheios de plástico e de cartão em praticamente todas as freguesias. É incomportável para os serviços municipalizados, com todo o trabalho que têm de fazer diariamente, ter ainda de recolher plástico e cartão. Não é possível”, sustentou.
Hoje, em resposta a um pedido de esclarecimento da Lusa, a empresa afirma que “relativamente às declarações proferidas na Câmara Municipal de Viana do Castelo, a Resulima não comenta o respetivo conteúdo”.
“A Resulima mantém o seu compromisso com o serviço público que presta e com a promoção da economia circular, reforçando a importância da correta utilização dos ecopontos e da adequada separação dos resíduos”, acrescenta.
A Resulima adianta que conta “com a colaboração de todas as partes envolvidas, entidades, instituições e população, para que os materiais sejam colocados nos ecopontos adequados e sempre devidamente acondicionados”.
“Este contributo é essencial para o bom funcionamento do sistema e para a preservação da qualidade de vida de todos”, sustenta a empresa que serve os concelhos de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, Esposende e Barcelos, no distrito de Braga.
Além da vereadora Carlota Borges, também o presidente da Câmara, Luís Nobre, disse sentir-se “impotente, apesar de integrar o conselho de administração da Resulima”.
“É um modelo que não favorece os munícipes. Para mim, é como uma espécie de colete de forças, por não poder fazer nada”, sublinhou o autarca socialista.
Luís Nobre disse que o problema na recolha de resíduos urbanos é um assunto recorrente nas reuniões da Resulima.
“Eu sinto-me impotente, como eu, o presidente da Câmara de Barcelos e outros presidentes que fazem parte dos órgãos da empresa. Insistimos e insistimos. Somos, muitas vezes, até, deselegantes porque não é simpático estarmos a ter uma atitude de reivindicação, de discussão, sempre do mesmo problema”, frisou.
O autarca socialista acrescentou que as reuniões podiam servir para “discutir outros assuntos como, por exemplo, a subida, o incremento astronómico, das tarifas cobradas pela Resulima”
“Eu prefiro não estar no conselho de administração porque me incomoda, todos os dias, falar da mesma coisa. Não faz sentido. Este modelo não funciona”, disse.