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Feiras Novas há 200 anos a passar o testemunho de geração em geração de Ponte de Lima

Feiras Novas há 200 anos a passar o testemunho de geração em geração de Ponte de Lima
Fotografia DR

Redação/Lusa

Publicado em 04 de maio de 2026, às 15:14

As Feiras Novas cumprem-se há 200 anos, data que vai ser celebrada terça-feira, passando de geração em geração o testemunho secular de costumes e tradições de Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Concelhia das Feiras Novas, Gonçalo Rodrigues, disse tratar-se de uma “efeméride de grande importância para o concelho” porque as festas “são o espelho, o modo de viver muito próprio dos habitantes do concelho e representam tudo o que tem a ver com a tradição, com os costumes, com os valores que os limianos querem dar a conhecer ao mundo”, acrescentou.

Segundo a proposta de classificação como Património Cultural Imaterial, em 2023, as “Feiras Novas, assim designadas desde 1826, ano da autorização oficial por Provisão Régia da Chancelaria de D. Pedro IV, estão enquadradas “na categoria das festividades cíclicas, marcadas por um forte pendor religioso e cultural”.

As festas concelhias, que decorrem sempre em setembro, “vão buscar as suas raízes à devoção a Nossa Senhora das Dores e ao apego à terra e às tradições, apresentando e mantendo um programa eclético que estabelece uma simbiose perfeita entre o ciclo da natureza e o calendário litúrgico”.

“São, de facto, os limianos quem faz a festa e têm uma particularidade interessante, muitas vezes são eles que através da sua participação ativa nas várias atividades do programa conseguem viabilizar a festa, participam, transmitem aos limianos mais jovens para poderem manter este legado no futuro. Acabam por fazer realmente uma festa diferente por todo o sentimento de pertença que querem partilhar com todos os que vêm às Feiras Novas”, referiu.

Para Gonçalo Rodrigues, que é também vereador na Câmara de Ponte de Lima, “a integração das Feiras Novas no Inventário Nacional do património cultural e material, é um reconhecimento que atesta em muito o valor cultural e histórico da festa que acaba por contribuir de forma significativa para aquilo que é a dimensão da transmissão cultural, de valores e tradições associadas quer à festa, quer ao próprio território e às suas gentes”.

O responsável adiantou que a edição de 2026 vai decorrer entre 9 e 14 de setembro e o cortejo histórico vai ser dedicado à história das Feiras Novas.

Organizada pela Associação Concelhia das Feiras Novas e pela câmara municipal, o programa das festas inclui as tradicionais rusgas do Alto Minho, que junta centenas de tocadores de concertina e cantadores ao desafio, sendo um dos pontos altos do programa.

Naquele dia, a arruada de concertinas que dá início às festas arranca às 21:30 e dura até ao amanhecer, juntando cantadores e tocadores, mas também muitos outros que se vão a juntar à festa de uma forma espontânea.

O programa inclui os tradicionais cortejos etnográfico e histórico, a feira do gado e os concursos pecuários.

O ribombar dos bombos, grupos de Zés Pereiras, gaiteiros, concertos de bandas de música, fado, folclore, tocatas, fogo-de-artifício, uma corrida de garranos e uma tourada integram o programa da festa anual de Ponte de Lima.

Na terça-feira, a festa dos 200 anos das Feiras Novas vai “combinar momentos de homenagem, cultura A celebração inclui “a revelação do cartaz e programa das Feiras Novas 2026, bem como a nova marca do evento e, a apresentação do livro dos 200 anos das Feiras Novas, uma edição especial que regista a memória e a evolução desta tradição secular”.

A inauguração da exposição temporária “As Feiras Novas em Cartazes”, que reúne peças gráficas e registos visuais das últimas décadas, e a apresentação do documentário sobre as Feiras Novas são outros dos pontos da festa que termina com uma sessão de fogo de artifício, simbolizando o início de um novo século de Feiras Novas.