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Portugal e Espanha estreitam laços no mundo dos vinhos

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Fotografia DR

Redação

Publicado em 22 de abril de 2026, às 21:03

Fusão Ibérica juntou Douro e Castela e Leão.

A primeira edição da Fusión Ibérica Wine Experience contribuiu para reforçar o conhecimento mútuo entre Portugal e Espanha no setor vitivinícola e projetar uma imagem conjunta além-fronteiras.

A iniciativa reuniu, no passado fim de semana, no Porto, um total de 20 produtores da Região Demarcada do Douro, em Portugal, e de Castela e Leão, em Espanha, num evento que pode ter continuidade com outros pontos de ligação entre os dois países.

O programa reuniu 10 produtores de cada lado da fronteira, que representam algumas das casas mais consistentes do panorama vitivinícola ibérico, afirmando-se como um ponto de encontro entre dois territórios historicamente ligados pelo rio Douro.

«O evento valoriza uma relação histórica entre as duas margens do Douro e afirma um corredor vitivinícola comum, com denominações e estilos complementares, promovendo uma narrativa partilhada de qualidade, origem e cultura do vinho

ibérico», afirma Alberto Pascual Alfonso, chefe da Área de Promoção Internacional do Instituto para la Competitividad Empresarial de Castilla y León, entidade patrocinadora do encontro.

Este responsável defende que, num contexto internacional cada vez mais competitivo, «iniciativas como esta são essenciais para ganhar visibilidade, abrir mercados e reforçar a marca dos vinhos ibéricos».

Por seu turno, Maria Helena Duarte, diretora da revista Paixão Pelo Vinho, responsável pela curadoria da iniciativa, aponta o rio Douro como o fator de união entre dois territórios com fortes pergaminhos no universo do vinho.

Em seu entender, estes momentos de prova são cruciais para se ficar a conhecer um território que, ao longo de todo o percurso do rio, apresenta «vinhos fantásticos», de altíssima qualidade, com uma diversidade capaz de agradar às diferentes preferências dos consumidores.

A especialista adianta que vão ser equacionados mais eventos, tendo como mote os rios que unem Portugal e Espanha. «A fusão ibérica é um conceito de aproximação entre territórios, vinhos e pessoas, de forma a criar condições que nos permitam usufruir apaixonadamente dos vinhos dos dois países», afirma.

Esta ligação peninsular ganha uma dimensão concreta com o anúncio do início da distribuição em Portugal dos vinhos do grupo Yllera Bodegas y Viñedos, produtor com forte implantação em Rueda e Ribera del Duero.

A revelação foi feita por Sara Peñas Lledó, mentora do projeto La Vida Ibérica, durante uma masterclass dirigida a profissionais do setor, na qual apresentou a referência “Le Fleur de VivaltuS”, que conta na equipa de enologia com Jean-Claude Berrouet, “pai” do icónico Pétrus (Bordéus), um dos vinhos mais caros do mundo.

A autora da publicação “O Livro dos Vinhos Ibéricos – Guia completo de Espanha e Portugal”, juntamente com Luís Antunes, defende que ainda há margem para aprofundar o conhecimento mútuo, sublinhando que ambos os países têm a ganhar com projeção conjunta da Península Ibérica a nível internacional.

Para além da Yllera Bodegas y Viñedos, da parte espanhola, participaram os produtores Bellori Vinos, Bodega y Viñedos Milenico, Bodegas Andrea Gutiérrez, Bodegas Bigardo, Bodegas Nexus y Frontaura, Bodegas Vega de Tera, Bodegas y Viñedos del Linaje Garsea, Centum Cadus, Viñas de Belesar – Bodegas Mauricio Lorca.

Caraterizada por planaltos de altitude, clima continental e fortes amplitudes térmicas, a região vitivinícola de Castela e Leão produz vinhos de perfil estruturado e com capacidade de envelhecimento. A casta Tempranillo – conhecida como Tinta Roriz (no Douro e a Norte) e Aragonez (no Alentejo e a Sul) em Portugal – domina nos tintos, conferindo estrutura, taninos firmes e longevidade. Nos brancos, a Verdejo sobressai, sobretudo na Denominação de Origem Rueda; tendo equivalência com a casta Gouveio em Portugal, apesar de serem distintas, cada uma com caraterísticas próprias.

Do lado português, a Quinta dos Loivos, localizada numa zona sobranceira ao Pinhão, concelho de Alijó, é um dos projetos mais recentes, contando com consultoria do enólogo Jorge Alves e direção de operações e viticultura a cargo de Ana Mota. Depois do apresentação dos primeiros vinhos, nas gamas Quinta dos Loivos (premium) e Venera, lançados no final do ano passado, a grande expetativa reside agora na inauguração do restaurante Loivos 475, com assinatura do chef Vítor Adão, que deve acontecer a breve prazo.

Entre os produtores durienses estiveram também 100 Héctares, Adega de Favaios, Alves de Sousa, Costa Boal Family Estates, Maçanita Vinhos, Márcio Lopes, Quinta de Canivães (Casa Ermelinda Freitas), Val Moreira e Vinilourenço.

A Região Demarcada do Douro foi criada em 1756, sendo reconhecida como a mais antiga região vinícola delimitada do mundo. Responsável pela produção dos vinhos do Porto e Douro, estende-se entre Barqueiros e Barca d’Alva, integrando uma paisagem classificada como Património Mundial.