O Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI) está de regresso ao Porto, Matosinhos, Gaia e Viana do Castelo entre 13 e 24 de maio para apresentar 16 espetáculos, anunciou hoje a organização.
“Este ano resolvemos ter como tema ‘Colapso e Esperança’, claramente duas palavras que estão em tensão. Num mundo em que o humano e o não-humano estão em crise, em esgotamento, estão a esvair-se com as questões da saúde mental em cima da mesa não é muito fácil encontrarmos motivos de esperança, mas cada vez que lançamos um festival de teatro ou de dança, ou de cinema, cada vez que colocamos artistas de todo o mundo em comunicação estamos a falar de esperança”, afirmou o diretor artístico do FITEI, Gonçalo Amorim, na conferência de imprensa de apresentação do programa.
O espetáculo de abertura do 49.º FITEI, a 13 de maio (com repetição no dia seguinte), é um “mergulho” na Antiguidade Grega, com Sara Barros Leitão a reescrever as “Suplicantes”, a partir de Ésquilo.
A 49.ª edição do FITEI continua com “Espalhar Fel”, a nova criação do autor e encenador Mickaël de Oliveira, concebida em formato de caminhada auditiva, com interpretação de Mónica Calle.
No Teatro Nacional São João vai ser apresentado o espetáculo “El Trabajo”, do poeta argentino Francisco León.
A 49.ª edição do FITEI é composta por 16 espetáculos, dos quais 12 nacionais e quatro internacionais, com seis estreia absolutas e três estreias nacionais.
Gonçalo Amorim destacou também o espetáculo “Comer a Terra”, do Teatro da Didascália, que vai ser apresentado entre 14 e 16 de maio. Neste espetáculo-jantar interativo, o público é convidado a refletir sobre algumas questões globais que deixaram marcas em povos indígenas e na humanidade atual.
O espetáculo “Bossa Nova”, de Tita Maravilha, é uma estreia com coprodução do FITEI e é apresentado a 14 e 15 de maio no Rivoli, no Porto.
Outro destaque da programação é o espetáculo “O Nome”, do encenador Nuno Cardoso, que adaptou o texto dramático de Jon Fosse, Prémio Nobel da Literatura em 2023. A peça vai falar de uma família fraturada que é posta à prova com o regresso da jovem filha grávida. É um “grande momento de teatro”, garantiu o diretor artístico.
Neste FITEI dá-se o regresso do grupo Hotel Europa, com “Habitar”, a ser apresentado no Cine-Teatro Constantino Nery, em Matosinhos, a 15 e 16 de maio.
O espetáculo de Joana Craveiro e do Teatro do Vestido “Desver” regressa ao Porto a 16 e 17 de maio, e explora a ocupação da Palestina, abordando “um país ocupado".
Na segunda semana do FITEI, o destaque vai para o espetáculo ”Há Qualquer Coisa Prestes a Acontecer”, de Victor Hugo Pontes, que vai ser apresentada entre 21 e 24 de maio, no Teatro Nacional São João.
Com passagem pelo Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, e mais tarde pelo Teatro Carlos Alberto, no Porto, Santiago Sanguinetti e a Companha Abuela Katiusha apresentam “Zombi Manifiesto”, uma comédia sobre traição e vingança, marcada pelo alcance da consciência de classe.
A dramaturga galega Lorena Conde, também diretora da Feira do Livro de Santiago de Compostela, junta-se a Raquel S. para a criação de “A Fortaleza”, em estreia absoluta em 22 de maio em Matosinhos (repete no dia 23), explorando a lenda da guerrilheira galega Chelo, que combateu o franquismo.
A ópera “18 Months”, do Quarteto Contratempus e de Nuno M. Cardoso, com libreto de Dimitris Andrikopoulos, chega ao Auditório de Gaia também em 22 e 23 de maio.
O FITEI conta ainda com concertos e performances, festas abertas ao público, como o concerto de abertura de O Gringo Sou Eu ao lado do grupo Sons do Bairro, conversas, lançamentos de livros e discos e uma sessão de escuta temática do 25 de Abril organizada por Isabel Meira e André Cunha no Batalha Centro de Cinema.