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Executivo de Vila Verde aprova rescisão de contrato com empresa de recolha de lixo

Executivo de Vila Verde aprova rescisão de contrato com empresa de recolha de lixo
Fotografia DR

Redação/Lusa

Publicado em 22 de abril de 2026, às 16:02

A Luságua assumia desde em 1 de julho do ano passado o serviço de recolha de lixo indiferenciado naquele concelho

A Câmara de Vila Verde aprovou hoje, em reunião do executivo, o acordo para a rescisão do contrato com a Luságua, de prestação do serviço de recolha e gestão de resíduos sólidos urbanos no concelho.

A minuta de revogação por mútuo acordo do contrato, que terá ainda de ser votada em Assembleia Municipal, foi aprovada com os cinco votos do PSD e as abstenções dos dois vereadores da oposição do PS e do Chega.

O município revelou na sexta-feira ter chegado a acordo com a Luságua para a rescisão do contrato de prestação do serviço de recolha e gestão de resíduos sólidos urbanos no concelho, com base no “reconhecimento da incapacidade da empresa em cumprir integralmente o caderno encargos pelo preço que propôs no âmbito do respetivo concurso público”.

No dia seguinte, a Luságua negou ter chegado a acordo com o município.

“Pese embora se tenham iniciado negociações, a Luságua não assinou nenhum acordo com a Câmara de Vila Verde para a rescisão por mútuo acordo do contrato de prestação do serviço de recolha e gestão de resíduos sólidos urbanos no concelho, contrariamente ao comunicado pelo município”, referiu a empresa, em comunicado, emitido no sábado.

A minuta de acordo de revogação por mútuo acordo do contrato hoje aprovada na reunião camarária, a que a agência Lusa teve acesso, adianta que a “manutenção do contrato nos seus termos atuais, face ao histórico de execução entretanto verificado e às posições assumidas pelas partes, é suscetível de prolongar a instabilidade operacional, agravar o risco de incumprimento, comprometer a regularidade do serviço e retardar o lançamento de um novo procedimento” concursal.

“O município pretende, por isso, recolocar a prestação destes serviços à concorrência, desencadeando novo procedimento pré-contratual, designadamente com recurso ao mecanismo legal que em cada momento se revele admissível, por forma a assegurar, com a maior brevidade, a contratação de um operador em condições financeiras e técnicas adequadas e afetivamente executáveis”, lê-se no documento.

A minuta acrescenta “que as partes alcançaram entendimento quanto à conveniência de extinguir o atual vínculo contratual por revogação por mútuo acordo, sem que tal represente, por parte do município, aceitação do mérito do pedido de modificação/reposição do equilíbrio financeiro, ou reconhecimento, por parte do cocontratante, de mora ou de incumprimento defeituoso”.

No comunicado de sexta-feira, a câmara de Vila Verde deu conta de que “os resultados da operação [da Luságua] provocaram várias reclamações e queixas, com particular evidência nos primeiros meses de implantação do novo serviço”.

“Passados mais de nove meses, mantêm-se dificuldades em assegurar o plano de serviço previsto no caderno de encargos, reconhecendo agora a empresa que subavaliou a dimensão do serviço a prestar”, sublinha a autarquia.

Citada no comunicado, a presidente da câmara, Júlia Rodrigues Fernandes (PSD), lamenta o desfecho do processo, mas sublinha que, “acima de tudo, está a defesa do interesse público e a exigência quanto à qualidade do serviço a prestar às pessoas”.

Segundo a nota, a autarca defendeu o “intransigente e integral respeito pelas normas legais”, razão pela qual – depois de a Luságua ter comunicado a insustentabilidade financeira da operação, também por força da nova conjuntura económica – foi recusada a renegociação do contrato e a alteração do serviço, conforme as normas estipuladas no caderno de encargos.

A Luságua assumiu em 1 de julho de 2025 o serviço de recolha de lixo indiferenciado em todo o concelho de Vila Verde.

“A empresa venceu o concurso com a proposta financeira mais baixa de entre todos os concorrentes, com cerca de 8,1 milhões de euros para o total dos 10 anos da concessão – abaixo mais de dois milhões de euros do preço base inscrito no concurso público internacional”, recordou o município de Vila Verde.