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Sindicato dos Magistrados quer intervenção urgente na Comarca de Viana do Castelo

Sindicato dos Magistrados quer intervenção urgente na Comarca de Viana do Castelo
Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 15 de abril de 2026, às 14:27

Em causa estão “constrangimentos estruturais” que comprometem a resposta do Ministério Público (MP)

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) quer uma “intervenção urgente” na Comarca de Viana do Castelo, em recursos humanos, nas condições de trabalho e nas infraestruturas, “sob pena de a justiça na região entrar em rutura”.

Em causa estão “constrangimentos estruturais” que comprometem a resposta do Ministério Público (MP), colocando em causa “a proteção das vítimas, a qualidade do serviço e a saúde dos profissionais”, bem como uma justiça “célere, eficaz e acessível”, alerta o sindicato em comunicado a que a Lusa teve hoje acesso.

“A Comarca cobre um território vasto e disperso, obrigando magistrados a deslocações constantes. Esta dispersão reduz a eficiência, dificulta a preparação dos processos e compromete a qualidade do serviço”, adianta o SMMP.

Segundo o sindicato, a pressão “é agravada pela falta de recursos humanos”, pois a Comarca dispõe de 25 procuradores, mais um do Quadro Complementar, “quando as necessidades reais apontam para 28 – 30, para equiparação funcional com os juízes”.

O SMMP observa também que “a rotatividade elevada, com procuradores em regime transitório ou com acumulações sucessivas, fragiliza a continuidade das investigações e gera atrasos”.

“A complexidade crescente de fenómenos como o cibercrime e as burlas transnacionais exige equipas estáveis que a Comarca não tem”, acrescenta.

Por outro lado, a extinção da vaga de efetivo no Tribunal de Caminha e do lugar de Procurador da República dirigente “agravou a pressão no juízo central criminal”.

No juízo central cível, comércio e juízos locais cíveis, “uma magistrada trabalha com sete juízes diferentes, multiplicando sobreposições e dificultando agendamentos”.

“Na violência doméstica, duas magistradas acumulam cerca de 300 inquéritos cada. A desmotivação é generalizada, alimentada pela dificuldade em conciliar vida pessoal e exigências de serviço”, afirma o sindicato.

A isto acresce “a falta de colaboração dos órgãos de polícia criminal, também sobrecarregados”, o que “limita a capacidade de investigação”.

“A insuficiência de oficiais de justiça é igualmente crítica. A falta de formação transfere tarefas para os magistrados, e há situações extremas, como uma funcionária responsável por mais de 500 inquéritos”, lamenta o SMMP.

Na área de Família e Menores, “a atividade disparou”, diz o sindicato.

“Aumentaram os Incidentes de Tutela Educativa (ITE), foram propostas cerca de 100 ações de Promoção e Proteção (PPP) e estão em curso 760 processos de promoção e proteção”, descreve.

Este crescimento “não é compatível com a recente alteração dos conteúdos funcionais, que acrescentou ainda mais carga ao cível”.

“Entre setembro e abril, cada magistrado proferiu cerca de 1.000 despachos — um ritmo insustentável”, critica o SMMP.

Quanto às condições de trabalho, “o cenário é particularmente grave”, pois “persistem limitações tecnológicas básicas”.

“Não existem formulários adequados para a distribuição RDA — o mecanismo que organiza e reparte tarefas entre magistrados e serviços — e muitos computadores estão obsoletos”, indica o sindicato.

Há igualmente “dificuldades recorrentes na assinatura de notificações e a ausência de ferramentas mínimas para organizar e distribuir o trabalho, agravando a sobrecarga já existente”.

De acordo com o sindicato, existem tribunais “onde decorrem obras com magistrados em funções, salas de audiências inutilizadas por infiltrações e equipamentos danificados, além da falta de espaços adequados para diligências, comprometendo a normalidade e a dignidade do serviço”.

Os magistrados de Família e Menores “acumulam funções nos juízos locais cíveis, situados em edifícios distintos, o que implica deslocações constantes e jornadas que frequentemente se prolongam das 9:00 às 20:00”.

O sindicato avisa que “a sobreposição de diligências, a alternância entre matérias e a dispersão de serviços prejudicam a preparação dos atos e afetam a qualidade do serviço”.