O alargamento e reengenharia do aterro sanitário da Braval na Póvoa de Lanhoso, que aumenta a disponibilidade em 10 anos, servindo seis municípios do distrito de Braga, está em consulta pública até 12 de maio.
O projeto está localizado nas freguesias de Ferreiras e Lanhoso, na Póvoa de Lanhoso, e Pedralva, de Braga, e visa “aumentar a capacidade de deposição e o alargamento do Aterro, com a construção/implantação de uma nova célula”, pode ler-se no portal Participa hoje consultado pela Lusa.
O Ecoparque da Braval tem, assim, duas intervenções distintas propostas por aquela empresa: a reengenharia das duas células existentes, que serão unidas, permitindo aumentar em 525.540 metros cúbicos o volume de deposição de resíduos (em março de 2025, a capacidade disponível era de 244.693 m3), e uma nova célula.
Segundo o estudo de impacte ambiental (EIA), a nova célula de aterro, a sul do atual, permite ampliá-lo numa área de cerca de seis hectares, disponibilizando um volume adicional de deposição de 820 mil metros cúbicos.
A Braval é a concessionária do sistema multimunicipal de triagem, recolha seletiva, valorização e tratamento de resíduos sólidos urbanos no baixo Cávado, albergando, atualmente, Amares, Braga, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho e Vila Verde.
Ao todo, serve cerca de 300 mil habitantes, estimando o estudo de impacte ambiental, assinado pela Consultoria e Projectos de Ambiente, Lda, que estes produzam por ano cerca de 150 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos.
A avaliação do estudo, um dos documentos em consulta pública, nota que a informação disponível “evidencia que a grande maioria dos resíduos não é valorizada”, antes depositada em aterro, apesar das unidades que visam a valorização, e assinala também que as principais queixas relacionadas com a operação da Braval “estão relacionadas com os odores”.
Se a reengenharia está já “em curso”, uma nova célula permitirá expandir para lá dos dois anos previstos que a reengenharia consegue ganhar, nomeadamente para “uma vida útil estimada de 8,2 anos”.
Segundo o EIA, os principais impactes ambientais negativos na fase de construção “relacionam-se com o rebaixamento do nível freático, a compatibilidade com os instrumentos de gestão territorial e com a ocorrência de solos e rochas sobrantes”.
Depois, o rebaixamento do nível freático mantém-se como impacte na fase de exploração, assim como “o efeito de intrusão visual na paisagem”, mas o EIA conclui que o projeto “reúne condições para ser executado”.
Além do alerta quanto ao nível freático, a área de implementação da nova célula é “muito perturbada sob a perspetiva conservacionista”, e na envolvente existe a Ribeira de Reamondes, comprometida no estado de conservação e por “ainda assim albergar ou atrair espécies de flora e fauna”, com vestígios de raposas e javalis nas proximidades.
Já publicado em Diário da República, em 2023, foi o reconhecimento de interesse público estratégico da utilidade pública municipal do alargamento, dada a necessidade de afetar área da Reserva Ecológica Nacional (REN).