A presidente da Câmara Municipal de Vila Verde destacou hoje a importância histórica e identitária da tradição oleira na vila de Prado e em algumas freguesias vizinhas, na sua intervenção aquando da abertura das primeiras Jornadas Culturais do Cávado, este sábado, em Prado.
«A olaria é uma referência da história da Vila de Prado e de toda esta região, mantendo-se ainda hoje em atividade talentosos artesãos que ajudam a perpetuar e a revitalizar técnicas ancestrais», afirmou Júlia Fernandes.
Na sessão, presidida pelo secretário de Estado da Cultura, a autarca recordou que a vila de Prado é historicamente reconhecida como um dos mais importantes núcleos da olaria tradicional portuguesa, nomeadamente no que respeita à produção de barro preto.
Várias coleções de peças antigas em cerâmica, incluindo de barro preto, estão em exposição em diferentes espaços do Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica. A este legado juntam-se as peças da mostra inaugurada ontem, pertença de Emílio Pereira, um oleiro e colecionador daquela localidade que está ligado ao trabalho do barro desde tenra idade. Além desta mostra, que pode ser apreciadas até ao dia 9 de maio, foi inaugurada a exposição “Maria da Fonte”, da autoria de Paulo Sá Machado.
O centro tem também um oleiro residente que cria peças de barro, à roda, e dinamiza ateliês de olaria abertos ao público.
Na visita à oficina, acompanhada pelo secretário de Estado, Júlia Fernandes sublinhou o papel estratégico deste espaço cultural na valorização do património local e na aproximação entre tradição e contemporaneidade.
Município garante continuidade das Jornadas
As Jornadas Culturais do Cávado terão continuidade nos próximos anos, garantiu hoje a presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, referindo que o evento representa um compromisso estratégico com a valorização e a promoção da identidade cultural do concelho.
À margem da primeira edição, realizada no Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica, na vila de Prado, a autarca afirmou aos jornalistas que estas jornadas «serão com certeza as primeiras de muitas», destacando a existência de inúmeras figuras e referências culturais no concelho que merecem ser homenageadas.
Na área da literatura, citou Dom João de Aboim, natural de Aboim da Nóbrega (1213–1285), e de João Lobo, natural de Mós (1952–2021), entre outras personalidades que integram a herança cultural do território e cuja memória, segundo sublinhou, deve ser preservada e celebrada.
Questionada sobre se a próxima edição voltará a ser no Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica, a presidente da Câmara explicou que essa decisão será ponderada em função das figuras e temáticas a homenagear, admitindo a mudança de localização. Recordou que a escolha deste espaço, em Prado, para a primeira edição esteve relacionada com o seu valor histórico, nomeadamente por ter sido residência de D. João de Castro, personalidade evocada no âmbito do programa.