A produtora de vinhos Kimbrel Wines está a dar nova vida ao Vale do Roncão, a 15 minutos do Pinhão, concelho de Alijó, em pleno douro vinhateiro, num investimento de 10 milhões de euros. Liderado pelo norte-americano David Sylvester, o projeto tem como enólogo e partner o barcelense Isaac Campelo.
Natural de Chavão, concelho de Barcelos, descendente de uma família ligada aos Vinhos Verdes, Isaac Campelo estudou Engenharia Química no Porto e Enologia e Viticultura em Bordéus. Depois de vindimas em diversas regiões de França, Chile, Austrália e Douro, juntou-se ao projeto da Kimbrel Wines na mais antiga região demarcada do mundo.
Com experiência em projetos de vinhos no Napa Valley, na Califórnia, EUA, David Sylvester acalentava o sonho de comprar uma quinta. Quando a propriedade surgiu no mercado, em 2022, o negócio concretizou-se em «dois ou três dias», pelo valor de 800 mil euros, conta o empresário.
Com a aquisição da propriedade, com um total de 30 hectares, dos quais 12 plantados com vinhas, e uma adega datada de 1851, começou o trabalho de recuperação dos muros de xisto, de requalificação dos acessos e de replantação dos vinhedos. A quinta conta com vinhas velhas, tendo sido identificadas 30 castas.
«A Kimbrel foi desenhada para posicionar o Douro no mapa mundial do vinho de forma sofisticada e consistente», afirma David Sylvester, explicando que o projeto alia a tradição do Douro com a introdução de tecnologia de ponta e de metodologias inovadoras.
Este trabalho tem sido liderado por Isaac Campelo, de 27 anos, passando pela introdução de um trator feito para caber em patamares de metro e meio, drones para fazer a adubação foliar, máquina GPS para plantar as entrelinhas com sementes para ajudar na polinização e criar corredores ambientais e material de triagem na adega para selecionar só as melhores uvas, para além da vindima noturna.
«Estamos a tentar desenvolver o estilo Napa Valley nas vinhas do Douro, desde a precisão com que fazemos as microvinificações e microseleções durante a vindima», explicita David Sylvester.
Fruto desta leitura individualizada do terreno, que permite que cada microlote seja tratado de forma independente, a produção anual não vai ultrapassar as 20 mil garrafas, sendo 7 mil de DOC Douro e 13 mil de Vinho do Porto, reforçando o posicionamento “premium” da marca.
A empresa lançou os primeiros vinhos, os tranquilos tinto Lameiro, Laurioza e Mortórios de 2022 e os licorosos Porto Vintage 2023 e Porto Tawny 50 anos, num evento que decorreu no mercado Time Out, no Porto.
Com o mercado internacional, especialmente os Estados Unidos, como prioridade, a Kimbrel Wines prepara também o futuro do seu enoturismo. Até 2030, a marca prevê a recuperação de armazéns históricos, a criação de uma adega própria e a construção de uma “guest house” de utilização exclusiva. As primeiras degustações e visitas a vinhedos e jardins estão marcadas para o final deste ano.
O nome Kimbrel é uma homenagem a David Sylvester, avô do fundador e condecorado aviador da Força Aérea dos EUA.



