A fidelização de multinacionais como a Continental e a Leica e a pujança de algumas têxteis são as principais «responsáveis» pela manutenção, em 2025, de Famalicão como o município mais exportador do Norte de Portugal, segundo números hoje revelados.
Segundo fonte municipal, e de acordo com os mais recentes dados macroeconómicos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025 o concelho registou exportações no valor de cerca de 2.679 milhões de euros, consolidando-se também como o terceiro maior exportador do país.
À Lusa, fonte do município revelou que, em 2024, a Continental liderava as exportações de Famalicão, seguida da têxtil Manuel Gonçalves, da Coindu e da Leica.
As têxteis Riopele, Irmãos Vila Nova e AAC também integravam o “top 10”, de que faziam ainda parte a construtora Gabriel Couto e a S. Roq.
Segundo a fonte, os dados em 2025 serão em tudo similares, havendo apenas dúvidas em relação ao posicionamento da Coindu.
Para o município, o primeiro lugar como mais exportador do Norte «confirma a relevância do concelho nos indicadores estruturais da economia, nomeadamente no comércio internacional, na balança comercial e no valor acrescentado bruto (VAB) das indústrias transformadoras, refletindo a forte capacidade produtiva, a elevada incorporação de valor acrescentado e a competitividade externa do seu tecido empresarial».
«A relevância económica do território é ainda mais evidente quando analisado o saldo da balança comercial. Em 2025, o município apresentou um superavit de 952,8 milhões de euros, o segundo melhor registo nacional, apenas atrás de Setúbal. Este resultado reflete a robustez do tecido empresarial local, que exporta significativamente mais do que aquilo que necessita importar», acrescenta.
Sublinha que a dimensão industrial do concelho é igualmente comprovada pelo VAB das indústrias transformadoras.
«Em 2024, Famalicão gerou cerca de 1.373 milhões de euros de VAB industrial, alcançando o segundo lugar a nível nacional, atrás de Lisboa, o que confirma a elevada capacidade de criação de riqueza associada à atividade industrial do território», diz ainda o município.
Para o presidente da Câmara, Mário Passos, este é um registo «que se tem repetido, que expressa a dinâmica empresarial do concelho e que contribui de forma muito significativa para a economia nacional».
O autarca realça que este dinamismo económico tem sido acompanhado por uma evolução estrutural na área da inovação e da ciência, em linha com a estratégia municipal “Do Made In ao Created In”.
Nos últimos anos, o número anual de investigadores no concelho mais do que duplicou, passando de 296 para 769.
No mesmo período, a despesa anual em investigação e desenvolvimento aumentou de 21,9 milhões para 63,5 milhões de euros, refletindo a crescente aposta das empresas famalicenses na criação de valor através do conhecimento e da tecnologia.
«A criação de valor e a atração e retenção de talento colocam-nos na linha da frente da produtividade, gerando emprego qualificado e, sobretudo, melhores condições de vida para os famalicenses», acrescenta Mário Passos.
Recorde-se que Famalicão integra vários clusters industriais estratégicos para a economia nacional, com destaque para os setores têxtil e vestuário, agroalimentar, automóvel, borrachas e plásticos e construção civil, que reforçam a sua vocação exportadora e inovadora.