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Eixo Atlântico define habitação e imigração como prioridades

Eixo Atlântico define habitação e imigração como prioridades
Fotografia DR

Rita Cunha

Jornalista

Publicado em 19 de fevereiro de 2026, às 18:45

A agenda de trabalho para 2026 ficou definida na XXXIV Assembleia Geral

O Eixo Atlântico definiu o acesso à habitação, a gestão dos fluxos migratórios e o combate à pobreza e à exclusão social como prioridades estratégicas para 2026, no âmbito da sua XXXIV Assembleia Geral, realizada na Câmara Municipal de Corunha, na Galiza. A reunião juntou as 41 entidades que integram a organização transfronteiriça e serviu também para aprovar o programa de ação e o orçamento para o próximo ano.


Para além da definição das linhas de atuação futura, a Assembleia ficou marcada pela controvérsia em torno dos atrasos nas obras da linha de alta velocidade entre Porto e vigo, tema que tem gerado debate político. O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Vázquez Mao, procurou desvalorizar a polémica, considerando que se trata de um problema pontual e não de um atraso estrutural do projeto ferroviário de alta velocidade.
Segundo Xoán Vázquez Mao, o eventual atraso, estimado em cerca de dois anos, resulta da reformulação do traçado construtivo do projeto em Vila Nova de Gaia, nomeadamente ao nível da estação prevista, e encontra paralelo em situações semelhantes ocorridas em Espanha. «É uma situação comparável ao atraso que houve no estudo informativo anterior da Saída Sul de Vigo e não corresponde a um incumprimento estrutural por parte de nenhum dos governos», afirmou, assegurando que o projeto se mantém dentro dos parâmetros inicialmente definidos.


No mesmo contexto, o secretário-geral reagiu de forma crítica às declarações do presidente da Xunta da Galiza, Alfonso Rueda, proferidas recentemente no Porto, defendendo que a politização do tema pode comprometer a concretização da infraestrutura. «Rueda deveria fazer menos alarde e trabalhar mais. Se a guerra partidária entrar na guerra do comboio, nunca haverá comboio», afirmou, acrescentando que a Galiza continua sem um projeto de comboio suburbano, ao contrário de outras regiões espanholas como o País Basco e a Catalunha.
Xoán Vázquez Mao apontou ainda exemplos de infraestruturas da responsabilidade da Xunta que, segundo o responsável, continuam por resolver, como a ligação rodoviária entre O Barco de Valdeorras e A Gudiña, utilizada por muitos habitantes para aceder à linha de alta velocidade com destino a Madrid. «Deveria parar de fazer eleitoralismo com uma obra para a qual não contribuiu mais do que retórica e propaganda», sublinhou.


No plano programático, a Assembleia Geral aprovou o programa de atividades para 2026, estruturado em torno de três grandes eixos: sustentabilidade urbana, desenvolvimento económico e desenvolvimento social. A agenda inclui iniciativas culturais, educativas e desportivas, bem como projetos de inovação social e de promoção de um turismo policêntrico e de autor, com especial atenção à integração da população migrante, à coesão social e à garantia de condições de vida dignas.
Entre as prioridades destacam-se a atualização da Agenda Urbana, o acompanhamento do Mapa de Infraestruturas e o reforço do planeamento urbano sustentável, encarados como instrumentos essenciais para reduzir desigualdades e prevenir situações de pobreza nos municípios que integram o Eixo Atlântico.


Foi ainda retificado o orçamento para 2026, no valor global de 5.538.900,52 euros, bem como as contas e o relatório de gestão do ano anterior. No plano internacional, foi reforçada a estratégia de cooperação com cidades da América Latina, Cabo Verde, México, Cuba e Argentina, assim como os laços com a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e o Instituto Camões.