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IPSS de Vila Verde denuncia atrasos do Estado que põe “em risco respostas sociais”

IPSS de Vila Verde denuncia atrasos do Estado que põe “em risco respostas sociais”
Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 12 de fevereiro de 2026, às 17:22

Em causa verbas superiores a 490 mil euros

O Centro Social Vale do Homem (CSVH), sediado no concelho de Vila Verde, distrito de Braga, denunciou hoje atrasos de pagamentos por parte do Estado superiores a 490 mil euros “que colocam em risco respostas sociais”.

“O CSVH vem a público denunciar uma situação grave e prolongada de incumprimento do Estado, traduzida em atrasos significativos no pagamento de financiamentos públicos e na devolução de IVA devido por lei, que está a causar um impacto financeiro severo na instituição e a comprometer a estabilidade das respostas sociais que assegura”, alerta esta Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), em comunicado enviado à agência Lusa.

O CSVH diz que “um dos exemplos mais paradigmáticos é o do edifício FeliZMENTElar, o primeiro equipamento com financiamento” do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) a abrir em Portugal com respostas sociais, em funcionamento desde outubro de 2022 e inaugurado em janeiro de 2023.

“Apesar de a candidatura PRR ter sido aprovada no montante global de 2.056.032 euros, a ‘tranche’ final, no valor de 1.538.640,95 euros, só foi paga em julho de 2024, quase dois anos após a abertura do edifício, quando o investimento já se encontrava totalmente liquidado pela instituição”, refere a IPSS.

O CSVH diz que se “mantém por regularizar o IVA [Imposto sobre o Valor Acrescentado] elegível” de quase 62 mil euros por parte da Autoridade Tributária relativos a esta obra, “apesar de sucessivos pedidos de esclarecimento e contactos” feitos pela IPSS, “agravando de forma significativa a pressão sobre a tesouraria da instituição”.

Segundo esta IPSS, “a situação torna-se ainda mais grave” face a outra dívida relacionada com esta empreitada, realizada entre 2021 e 2022.

“Após a Autoridade Tributária (AT) ter exigido indevidamente a aplicação da taxa normal de IVA (23%), o CSVH recorreu ao Centro de Arbitragem Administrativa (CAAD), tendo obtido decisões integralmente favoráveis para 2021 e 2022, esta última com sentença proferida em janeiro de 2025 e já transitada em julgado”, sublinha o CSVH.

Apesar disso, segundo a IPSS, “a AT não procedeu à devolução do imposto, no montante de 428.888,77 euros, obrigando a instituição a avançar com a execução da sentença”.

“No total, o Estado mantém em atraso o pagamento de 490.469,73 euros ao CSVH, relativos a IVA devido quer pela AT, quer no âmbito do PRR”, acrescenta a IPSS.

Para o presidente do CSVH, está a ser retido quase meio milhão de euros “sem fundamento, apesar de decisões judiciais favoráveis e transitadas em julgado”, defendendo não se tratar de um problema administrativo, mas antes de “um incumprimento grave do Estado”.

“As instituições sociais continuam a cumprir todas as suas obrigações — salários, fornecedores, serviços essenciais — enquanto o Estado falha. Foi precisamente para denunciar esta realidade concreta que decidimos, entre outras formas, dirigir uma carta aberta [ao Governo], exigindo reciprocidade, eficiência e respeito”, afirma Jorge Pereira, citado no comunicado.

O CSVH alerta que “estes atrasos obrigam as instituições a recorrer a endividamento, a utilizar reservas próprias e a adiar investimentos fundamentais, colocando em risco respostas sociais essenciais e penalizando diretamente as comunidades que delas dependem”.

“O CSVH exige o cumprimento integral e imediato das obrigações do Estado, a regularização dos valores em atraso e a adoção de procedimentos que impeçam a repetição de situações que considera injustas, lesivas e inaceitáveis num Estado de Direito”, lê-se ainda no comunicado.

O CSVH presta serviços nos concelhos de Amares, de Barcelos, de Braga, da Póvoa de Lanhoso, em Terras de Bouro e em Vila Verde, “com respostas sociais que abrangem mais de 500 utentes, desempenhando um papel estruturante no desenvolvimento social da região”.