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Mau tempo e chuva intensa atrasam pesca da lampreia no Minho e Lima

Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 09 de fevereiro de 2026, às 19:38

A chuva favorece a subida do caudal, que traz consigo a lampreia. Contudo, o mau tempo impede a faina, prejudicando a captura, o que complica a vida dos pescadores e coloca em risco o sustento das famílias.

As condições meteorológicas adversas têm dificultado a captura de lampreia nos rios Minho e Lima, afetando o trabalho dos pescadores, que, ainda assim, reconhecem que a chuva contribui para a abundância da espécie e para o sucesso da reprodução.

O presidente da associação de pescadores do rio Minho, Augusto Porto, descreveu a situação como «a maior crise de sempre», explicando que, há cerca de mês e meio, a atividade tem estado praticamente parada devido às intempéries. «Não por falta de peixe, mas pelas condições meteorológicas», afirmou, referindo que cerca de 150 embarcações, portuguesas e espanholas, atravessam um período particularmente difícil numa fase do ano essencial para o sustento das comunidades piscatórias.

A captura de lampreia no rio Minho iniciou-se a 5 de janeiro e deverá terminar a 31 de abril, tendo os pescadores solicitado o prolongamento do prazo por mais uma semana, devido às limitações impostas pelo mau tempo. Segundo Augusto Porto, o excesso de chuva impede o trabalho, sobretudo na zona da foz, enquanto a montante os pescadores enfrentam lixo, inertes e troncos arrastados pela corrente, que tornam impraticável o lançamento das redes. O responsável acrescenta que muitos profissionais praticamente não conseguiram trabalhar desde o início da campanha, colocando em risco o rendimento anual, uma vez que esta é uma das épocas mais importantes da atividade.

No rio Lima, onde operam cerca de 60 embarcações, a campanha apresenta resultados ligeiramente mais favoráveis. O presidente da associação local, Fernando Ferreira, referiu que as intempéries prejudicam sobretudo os pescadores e não a espécie, salientando que os exemplares capturados têm sido maioritariamente de grande dimensão e que a época está a decorrer melhor do que no ano anterior, considerado particularmente fraco em termos de capturas.

Nas pesqueiras do rio Minho, em Melgaço, classificadas no Inventário Nacional do Património Imaterial, a época da lampreia arranca no domingo e prolonga-se até 31 de abril. Diogo Castro, que trabalha em várias pesqueiras, considera que a chuva intensa favorece a subida da lampreia, já que o aumento do caudal facilita o percurso da espécie rio acima, permitindo que alcance zonas mais interiores do rio.

O troço internacional do rio Minho, entre Monção e Melgaço, concentra cerca de 900 pesqueiras nas duas margens, consideradas engenhos tradicionais de captura de várias espécies, como lampreia, sável, truta, salmão e savelha. Destas estruturas, cerca de 150 encontram-se ativas em território português e aproximadamente 90 no lado espanhol, mantendo viva uma tradição secular ligada à economia e identidade cultural da região.