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Requalificação do centro das Taipas sofre atrasos e multiplica custos

Requalificação do centro das Taipas sofre atrasos e multiplica custos
Fotografia DR

Rui de Lemos

Jornalista

Publicado em 27 de outubro de 2023, às 09:51

Obra de requalificação do centro cívico da vila das Taipas está debaixo das críticas da oposição municipal.

As obras de requalificação do centro cívico da vila das Taipas, em Guimarães, têm sofrido sucessivos atrasos e a fatura dos custos já subiu duas vezes. A intervenção leva um ano de atraso, quase um milhão de euros de custos a mais e muitos transtornos. «Este projeto não foi devidamente acautelado e isto é má gestão de dinheiros públicos», critica a oposição da gestão municipal. 

A Câmara Municipal de Guimarães aprovou, ontem, na reunião do executivo municipal mais trabalhos complementares para a obra de requalificação do centro cívico da vila das Taipas, no valor de 392.839,09 euros + IVA, e que farão com que a intervenção se prolongue por mais 60 dias. A decisão voltou a merecer críticas da oposição, que condenou «o mau planeamento e má gestão de dinheiros públicos».

Os sucessivos atrasos nas obras de requalificação do centro cívico da vila das Taipas, que deveriam estar concluídas há cerca de um ano, mas que «continuam a gerar prejuízos e indignação nos comerciantes e moradores», permanecendo no terreno, «leva-nos a concluir que este projeto não foi devidamente acautelado e estamos constantemente a deliberar sobre trabalhos complementares numa obra que já soma um valor considerável, porque já estamos acima dos 6 milhões de euros nesta requalificação», condenou e criticou o vereador da coligação PSD/CDS, Hugo Ribeiro, ontem, no final da sessão do executivo municipal.

O vereador social-democrata já havia sido crítico de atrasos e gastos suplementares anteriores, tendo voltado ontem a criticar a «falta de cuidado no planeamento e estudos geológicos» que suportaram a intervenção. «Estamos a favor da obra, mas achamos que a gestão dos dinheiros públicos tem de ser feita de forma mais séria e rigorosa. O diferencial do valor desta obra já é superior a 20 por cento, ultrapassando o milhão de euros», suportou e contabilizou Hugo Ribeiro.

A nova proposta de trabalhos complementares sustenta que as novas situações a resolver «resultam de circunstâncias absolutamente imprevisíveis e que a entidade adjudicante atuando de uma forma diligente não tinha possibilidade de prever». O texto refere «factos de natureza imprevisível impeditivos do desenvolvimento dos trabalhos de acordo com o estipulado no projeto da empreitada», designadamente na zona dos Banhos Velhos, os trabalhos de arranjo e limpeza geral das paredes do Fontanário, com um «reforço estrutural do tardoz da sua parede» e trabalhos de rebaixamento de redes de média e baixa tensão e infraestruturas de telecomunicações, nomeadamente as que atravessam a zona do Jardim Seco. Há também demolições, cujo «exemplo mais paradigmático é a galeria em betão armado que reencaminha águas pluviais e águas provenientes da Ribeira da Canhota desde os Banhos Novos até a linha de água», bem como a ligação da rede de drenagem de águas pluviais à rede existente na EN101.

«As prorrogações e os trabalhos complementares estão justificados por várias situações. Antes, associadas à situação da pandemia, depois à falta de mão de obra e falha de materiais. De facto, houve aqui um conjunto de situações verificadas em empreitada que não estavam previstas em projeto, mas que são fundamentais serem executadas para boa execução da obra», justificou a vereadora Sofia Ferreira.