twitter

Corpo de Couto Viana trasladado para mausoléu dos artistas de Viana do Castelo

Corpo de Couto Viana trasladado para mausoléu dos artistas de Viana do Castelo
Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 12 de junho de 2023, às 16:14

A cerimónia é integrada nas comemorações do centenário do nascimento de Couto Viana.

Os restos mortais do poeta e escritor de Viana do Castelo António Manuel Couto Viana vão ser trasladados do cemitério da Ordem Terceira para o mausoléu de artistas e homens de letras, no cemitério municipal, foi divulgado esta segunda-feira.

Em comunicado, a Câmara de Viana do Castelo explicou que a cerimónia, integrada nas comemorações do centenário do nascimento de Couto Viana, decorrerá no sábado, às 17h00, num momento acompanhado pela guarda de honra da Companhia de Bombeiros Sapadores Viana do Castelo.

Poeta, dramaturgo, contista, ensaísta, memorialista, tradutor, encenador, ator, gastrólogo e autor de livros para crianças, António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo, a 24 de janeiro de 1923. Publicou meia centena de livros de poesia e cerca de 80 títulos de outros géneros literários, com relevo para os livros de ensaios e memórias.

Couto Viana morreu em Lisboa, a 8 de junho de 2010, e foi sepultado no cemitério da Ordem Terceira, em Viana do Castelo. No sábado, os seus restos mortais serão trasladados para o mausoléu, criado pela autarquia, em homenagem aos artistas e homens de letras da cidade.

O programa comemorativo dos 100 anos do seu nascimento inclui, às 11h00, na biblioteca municipal, o lançamento do livro infantil “Quem gosta de animais cresce mais”, de sua autoria e com ilustração de Vítor Pi. Além do lançamento do livro, na sala da biblioteca municipal batizada com o nome do poeta e escritor será ainda entregue o Prémio Escolar António Manuel Couto Viana aos alunos vencedores da edição 2022/2023.

Para as 18:30, também na biblioteca municipal, será ainda lançada a antologia poética de Couto Viana, intitulada “Por dentro de mim dou a volta ao mundo”. Além “do teatro e da poesia, Couto Viana dedicou-se também à literatura infantojuvenil, escrevendo e traduzindo livros, e dirigindo publicações como a revista Camarada (1949-1951)”.

A “obra poética de António Manuel Couto Viana figura nas principais antologias de língua portuguesa e espanhola, tendo os seus poemas sido traduzidos para castelhano, inglês, francês, alemão, russo e chinês”. A Câmara destaca que a poesia de Couto Viana foi já estudada por David Mourão-Ferreira, Artur Anselmo, Tomaz de Figueiredo, Eduíno de Jesus, Rodrigo Emílio, João Maia, Franco Nogueira, João Bigotte Chorão, José Carlos Seabra Pereira, Beatriz Basto da Silva, Mário Saraiva e Joaquim Manuel Magalhães.

Foi galardoado com o Prémio Antero de Quental (em 1949 e 1969), o Prémio Luso-Galaico Valle-Inclan (em 1960), o Prémio Nacional de Poesia (em 1965), o Prémio da Academia de Ciências (em 1971), o Prémio de Literatura da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (em 1988) e o Prémio Camilo Pessanha (em 1992), da Fundação Oriente.

De “1986 a 1988, viveu em Macau, onde exerceu funções docentes no Instituto Cultural. Na última década, teve como residência até ao seu falecimento em junho de 2010 a Casa do Artista, em Lisboa, onde continuou a fazer parte da Comissão de Leitura para a Educação e Bolsas, da Fundação Calouste Gulbenkian”.

A autarquia recorda ainda que foi agraciado com a Banda da Cruz de Mérito, Grã-Cruz da Falange Galega e Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique, sendo que o município de Viana do Castelo lhe atribuiu a Medalha de Mérito Cultural e lhe dedicou uma sala na biblioteca municipal.