«Os níveis de adesão estão muito próximos dos da greve anterior, ou seja, na ordem dos 90%. Há muitas escolas fechadas de norte a sul do país e outras estão abertas, mas não estão a decorrer aulas por falta de professores», disse à Lusa João Dias da Silva. O responsável remete para mais tarde dados concretos sobre a paralisação.
Os professores cumprem esta quarta-feira uma greve nacional em protesto contra a alegada falta de investimento do Governo na educação, que entendem estar exposta na proposta de Orçamento do Estado para 2023 (OE2023). A Federação Nacional dos Professores (Fenprof), a Federação Nacional de Educação (FNE), o Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (SINDEP), a Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL) e o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU), entre outras plataformas que convocaram a greve, exigem a valorização da carreira docente, o combate à precariedade e a necessidade de promover o rejuvenescimento do setor.
As várias estruturas sindicais associadas aos professores e educadores escolheram este dia de para fazer coincidir a greve nacional com a intervenção do ministro da Educação, João Costa, na Assembleia da República, em defesa da proposta orçamental para o setor no próximo ano. «É este subfinanciamento, que se está a tornar crónico, que impede a melhoria das condições de trabalho nas escolas, a melhoria das condições de aprendizagem dos alunos e, no caso dos profissionais docentes, que impede a tomada de medidas que confiram atratividade à profissão, levando os jovens professores a abandonarem, os jovens que concluem o secundário a não procurarem os cursos de formação de docentes e os mais velhos a ansiarem pelo momento da sua aposentação», referiu em comunicado, a 20 de outubro, a Fenprof.
Já a FNE apelou à criação de estímulos para atrair professores para zonas mais desfavorecidas ou com falta de profissionais, à conclusão do processo de recuperação do tempo congelado e ao respeito pelos limites do tempo de trabalho, além da substituição do atual modelo de avaliação de desempenho. Por sua vez, o SINDEP justificou o uso da «legítima arma da greve» na expectativa de que leve o Ministério da Educação a «voltar à mesa para uma verdadeira negociação e não para um mero ‘faz de conta que negociamos’». A estrutura sindical criticou ainda a ausência de uma medicina de trabalho para o setor.
A ASPL lembrou que Portugal fica aquém das metas de investimento no ensino observadas pela OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e que deveriam ser aumentadas as verbas para eliminar o défice no custo anual de formação dos alunos e na carreira docente, enquanto o SPLIU defendeu um processo negocial sério com a tutela, resumindo que «este é o momento de os educadores e professores retomarem a união e assumirem o seu descontentamento de forma unida».
Autor: Redação/Lusa