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Autor de banda desenhada José Ruy morre aos 92 anos

Autor de banda desenhada José Ruy morre aos 92 anos
Fotografia

Publicado em 24 de novembro de 2022, às 14:46

O autor colaborou com muitas publicação periódicas, nomeadamente "Mosquito", "Mundo de Aventuras" e "Cavaleiro Andante".

O autor português José Ruy, com um longo e pioneiro percurso na criação e divulgação da banda desenhada portuguesa, morreu na quarta-feira aos 92 anos, na Amadora. A informação foi avançada à Lusa por uma fonte da Câmara Municipal.

«O conjunto do seu trabalho, a qualidade do seu desenho e cor, é um reflexo de décadas de criatividade, de conhecimento e de dedicação. A sua vida cruza-se com a história da cidade – a escola com o seu nome, o AmadoraBD, os Troféus Zé Pacóvio e Grilinho, prémios e homenagens», lê-se na página de Facebook da autarquia. No Facebook, o festival AmadoraBD também escreve que «faleceu o mestre José Ruy, um dos pioneiros da nona arte em Portugal, cujo legado é indissociável da Amadora».

[embed]https://www.facebook.com/municipiodaamadora/posts/pfbid021ZVKbnsL61i8crxEj8eQ12cF9HW6wdWvQ8JWbYXqKJxafJXAGb7i4yWUWp6MAWgxl[/embed] José Ruy nasceu na Amadora em 1930. Colaborou com muitas publicação periódicas, nomeadamente "Mosquito", "Mundo de Aventuras" e "Cavaleiro Andante", num tempo em que a banda desenhada era lida sobretudo em revistas, convivendo com outros nomes históricos da BD como Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005) e José Garcês (1920-2020).

Na longa e produtiva carreira, José Ruy trabalhou em várias áreas ligada ao desenho, mas foram os álbuns informativos de banda desenhada, de pendor histórico, e as adaptações de obras literárias, sempre com um traço realista e detalhado, que lhe deram visibilidade. Destacam-se a transposição para BD da epopeia "Os Lusíadas", das biografias sobre Aristides de Sousa Mendes, de Humberto Delgado e de Beatriz Ângelo, e a série "Aventuras de Porto Bomvento", que evoca os marinheiros anónimos da época dos Descobrimentos. Com obra traduzida e publicada em vários países, José Ruy era muito ativo na divulgação desta arte, uma presença regular em escolas e também no festival AmadoraBD.

A dedicação à banda desenhada valeu-lhe a medalha de ouro de mérito e dedicação da Câmara Municipal da Amadora. Em 2010, numa entrevista à Lusa, José Ruy, então com 80 anos, dizia que o seu trabalho assentava «mais na parte histórica de um povo», porque tinha «facilidade em lidar com o tema» e afirmava estar atento à evolução tecnológica da BD portuguesa. «Também eu tive de me adaptar às novas ferramentas colocadas ao dispor. (...) Com os novos métodos de trabalho, para além de mais limpo, o trabalho final torna-se mais colorido e pormenorizado», contou.

Na mesma entrevista lamentava a ausência no mercado de revistas dedicadas à banda desenhada.«Estas publicações fazem falta para lançar novos talentos. Hoje impera o livro, o que torna mais difícil a publicação dos trabalhos dos autores mais jovens», disse.


Autor: Redação/Lusa