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APAV apoiou mais de 13.000 vítimas diretas em 2020

APAV apoiou mais de 13.000 vítimas diretas em 2020
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Publicado em 29 de março de 2021, às 11:06

Uma média de 38 chamadas por dia.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou no ano passado mais de 13.000 vítimas diretas de mais de 19.600 crimes e outras formas de violência e recebeu uma média de 38 chamadas por dia. Segundo o relatório anual de 2020, no ano em que comemorou 30 anos de existência, a APAV registou 66.408 atendimentos de pessoas vítimas ou não de crimes, para esclarecimento de informações e outros assuntos. Cerca de 75% do total de vítimas diretas de crime eram do sexo feminino e as faixas etárias mais frequentes situavam-se entre os 25 e os 54 anos de idade, representando um total de 38,3%. Os crimes contra as pessoas (95,1%) tiveram um maior destaque no ano passado, com especial relevo para os crimes de violência doméstica (75,4%). Já os crimes contra o património, que em 2020 representaram 2,5% do total assinalado pela APAV, registaram um aumento de 0,7% em relação ao ano anterior. De acordo com os dados da APAV, de um total de 13.093 vítimas diretas, a associação registou 13.113 autores/as de crime. Destes, cerca de 56% eram do sexo masculino e tinham idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos (21,1%). No que diz respeito à relação entre vítima e autor/a do crime, as relações de intimidade (44,2%) foram as mais assinaladas. Nos vários serviços de proximidade - Gabinetes de Apoio à Vítima, Equipas Moveis de Apoio à Vítima, Polos de Atendimento em Itinerância, Sistema Integrado de Apoio à Distância, Sub-Redes Especializadas, Casas de Abrigo e Linha Internet Segura – foram registados 66.408 atendimentos. A APAV refere que apoiou vítimas diretas de 290 municípios dos 308 existentes (94% do território nacional), registou 19.697 crimes e outras formas de violência e promoveu 1.227 atividades formativas (48% destinadas a crianças e jovens). A associação lembra que o ano de 2020 foi pautado pelo aparecimento da pandemia causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 e que, “com todos os constrangimentos inerentes a uma nova realidade”, se teve de adaptar e reinventar “dia após dia”. A vitimação continuada continua a prevalecer, segundo a APAV, e os locais do crime mais referenciados foram a residência comum (54,1%) e a residência da vítima (16%). Em cerca de 46% das situações foi formalizada queixa /denúncia junto de pelo menos uma entidade policial, o que representa um aumento de 4% face aos registos de 2019. Quanto ao número médio de vítimas por ano, a APAV indica 8.720 mulheres, 1.841 crianças, 1.627 homens e 1.626 pessoas idosas. Quanto aos contactos recebidos, a APAV indica que os contactos telefónicos (61,6%) e presenciais (29,6%) continuam a ser os principais, mas sublinha que no apoio ‘online’ se verificou uma subida de 5,9% face ao ano anterior, com um registo de 17,7% dos contactos efetuados. “Foi também percebida a subida percentual dos contactos telefónicos face aos presenciais, com uma elevação de 4,2%. O aumento da utilização de ferramentas de apoio à distância, como o telefone e o apoio ‘online’, poderá ter sido condicionada pelas restrições vividas em 2020, em consequência da situação pandémica”, sublinha. No que se refere à referenciação das vítimas, o relatório da APAV indica que uma em cada cinco (20,4%) são referenciadas pelos órgãos de polícia criminal e 13,4% por amigos/conhecidos. “O número de referenciações efetuadas para a APAV reforçam o reconhecimento da associação junto das comunidades locais e das restantes instituições com as quais articula”, sublinha a associação. Quanto ao perfil geral das vítimas apoiadas diretamente, a APAV refere que são maioritariamente do sexo feminino (74,9%), com uma média de 40 anos de idade e que a relação com o autor/a do crime é conjugal na maior parte dos casos (18.2%). No que se refere às vítimas crianças e jovens, são maioritariamente do sexo feminino (59,7%) com uma média de 10 anos de idade e filhos/as do/a agressor/a. O perfil que a APAV define para as vítimas do sexo masculino indica que a faixa etária predominante é a dos adultos (56,9%), seguida de crianças (29,3%) e idosos (15,3%). Contudo, a média de idades das vítimas do sexo masculino situa-se nos 36 anos e a maior parte (16,1%) são filhos do/a autor/a do crime, seguindo-se os cônjuges (10,8%). Já no caso das pessoas idosas, o perfil das vítimas traçado indica que a maioria são mulheres (72,1%), com uma média de 76 anos de idade e, na maior parte dos casos (33,8%) são pai/mãe do autor do crime. Em 22,7% dos casos são cônjuges.
Autor: Redação/Lusa