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Alentejo valoriza Vinhas Velhas e Centenárias e alarga certificação do Vinho de Talha a toda a região

Alentejo valoriza Vinhas Velhas e Centenárias e alarga certificação do Vinho de Talha a toda a região
Fotografia CVRA

Redação

Publicado em 30 de agosto de 2026, às 21:45

Proteção e valorização do património vitivinícola.

A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) criou as denominações “Vinhas Velhas” e “Vinhas Centenárias” e alargou a possibilidade de certificação do Vinho de Talha a toda a região do Alentejo, anunciou a instituição.

Aprovadas por unanimidade em Conselho Geral da CVRA, as novas medidas visam contribuir para a proteção e valorização do património vitivinícola alentejano.

Estas determinações integram o Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031, que pretende aumentar o valor gerado pela fileira vitivinícola e reforçar o posicionamento dos Vinhos do Alentejo nos mercados nacional e internacional.

A denominação “Vinhas Velhas” aplica-se a vinhas com, no mínimo, 35 anos, enquanto a classificação “Vinhas Centenárias” é atribuída a vinhas com registo anterior a 1931.

Com estas novas denominações, a CVRA pretende «contribuir para a preservação de um património vitivinícola que atravessa gerações, reconhecendo o valor das vinhas mais antigas da região e reforçando a identidade dos Vinhos do Alentejo».

No caso do Vinho de Talha, foi aprovada a possibilidade de certificação do Vinho de Talha produzido em qualquer uma das sub-regiões do Alentejo.

Ao alargar a certificação a toda a região, a CVRA «reforça a proteção desta tradição, reconhecendo a diversidade de territórios onde o Vinho de Talha continua a ser produzido e criando condições para a sua afirmação enquanto produto diferenciador dos Vinhos do Alentejo».

«Ao reconhecermos o valor das nossas vinhas mais antigas e ao definirmos, com rigor, o método de produção do Vinho de Talha, estamos a preservar um património único e a criar condições para o desenvolvimento de vinhos “premium”, reforçando a diferenciação, a competitividade e a criação de valor para os Vinhos do Alentejo», afirma o presidente da CVRA, Luís Sequeira.

Em seu entender, esta clarificação é essencial para promover o Vinho de Talha de forma «muito mais intensa, mais robusta e até inovadora».

«A revista “The Economist” apresentou um artigo muito interessante a propósito de uma nova tendência que dizem estar a verificar-se, chamada “Blouge”, que é uma categoria que mistura vinhos tintos com vinhos brancos, com menor grau alcoólico. Ora, há dois mil anos que fazemos isto com os vinhos de talha», recorda.

«No Alentejo, temos enorme de potencial, eu às vezes até diria de diamantes em bruto. Cumpre-nos a nós poli-los e dá-los a conhecer. E, sobretudo, tentar fazer a promoção de uma forma moderna», declara.

No âmbito da comunicação, os Vinhos do Alentejo lançaram a campanha “Um alentejano cai sempre bem”, assinada por João Wengorovius e Pedro Bidarra, que aposta no bom humor e é disruptiva. «Entendemos que precisamos de chegar ao maior número possível de consumidores para que sintam o apelo de conhecer este universo magnífico dos vinhos do Alentejo. Estamos, portanto, a abrir várias frentes, sendo certo que, nos tempos que correm, precisamos de nos reinventar», explica.

Luís Sequeira adianta que os vinhos vão passar a ser associados à cultura, ao azeite e à gastronomia, apontando para um evento que alia vinhos de talha com comida confecionada em barro.

A divulgação passou também pela realização, em Lisboa, do evento “Alentejo à Grande” dedicado aos grandes formatos, em que as protagonistas foram as garrafas magnum e formatos superiores.

O responsável explica que a plataforma Data+, uma ferramenta de controlo e rastreabilidade da fileira vitivinícola alentejana, que reúne mais de cinco milhões de dados, apontou para «uma relevância estatística de crescimento dos chamados grandes formatos. Depois de consultar alguns dos agentes económicos, percebemos que é uma tendência».

Assim, no maior dia do ano, a 21 de junho, e 20 produtores da região apresentarem-se na Praça Beato, com garrafas entre 1,5 e 12 litros, num evento com curadoria de Edgardo Pacheco. Os grandes formatos conquistam espaço junto de consumidores e restauração pela evolução diferenciada do vinho, pela imponência visual numa mesa entre amigos ou pela capacidade de estimular conversas em torno da cultura vínica e gastronómica. «A diminuição do consumo está a ser feita em favor de um aumento do valor», afirma.

Em relação à divulgação dos vinhos nacionais no exterior, considera que faz sentido fazer promoção conjunta, porque, «como país, temos um potencial imenso, mas ainda somos uma pequena gota no imenso oceano da exportação».

«Nesse aspecto, a ViniPortugal tem estado a fazer um belíssimo trabalho. E nós daremos todo o nosso contributo, até porque temos inscrito o nosso plano estratégico que queremos, nos próximos cinco anos, aumentar de 20 milhões para 40 milhões de litros a exportação dos vinhos alentejanos. Portanto, não é um objetivo pequeno, é um objetivo bastante ambicioso e para isso temos que, de facto, criar condições para tal», refere.

O dirigente adianta que a CVRA tem estado a trabalhar com Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), tendo sido criado modelo de formação específico, com um oito módulos de uma hora e meia, focado na exportação. No universo de 248 agentes económicos do Alentejo, 113 participaram nesta iniciativa.

Na sua opinião, Portugal precisa de investir «muito mais» na promoção nos mercados internacionais. Em seu entender, é preciso articular cá dentro as iniciativas que se fazem lá fora, pondo em prática a coopetição, ou seja, cooperação na competição. «O país precisa de se afirmar em termos da exportação. E para isso, vamos ter de investir e agir em conjunto», resume.