O ministro da Administração Interna garantiu que se sente «absolutamente apoiado pelo senhor primeiro-ministro e por todos os membros do Governo» com quem tem falado e interagido. Luís Neves assegurou que nunca pensou em apresentar um pedido de demissão a Luís Montenegro, na sequência das polémicas sobre as obras na sua propriedade em Odemira, o atrelado com produtos químicos encontrado nas instalações do empreiteiro e as falhas na entrega das declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional.
O governante, que se apresentou ladeado pelos seus três secretários de Estado, afirmou continuar «totalmente legitimado e empoderado» para o cargo, rejeitando qualquer benefício indevido. Tem «mais de 30 anos de serviço público» e garante que nunca trabalhou «para interesses particulares», tendo atuado sempre com «total independência e sentido de dever».
Pelo PSD, o líder parlamentar considerou que o ministro da Administração Interna foi «suficientemente elucidativo» e respondeu «ponto por ponto» às dúvidas suscitadas. Hugo Soares sublinhou que Luís Neves assumiu erros sobre matérias relativas à sua conduta «enquanto diretor nacional da PJ e não enquanto ministro da Administração Interna», atuando «sempre em nome do interesse do Estado». O presidente da bancada social-democrata aproveitou ainda a ocasião para criticar a atitude da oposição, acusando o presidente do Chega de colocar interesses partidários à frente da verdade.
Em sentido oposto, o líder do Chega reagiu imediatamente para defender que o governante não reúne «nenhumas condições» para continuar em funções, classificando a intervenção do ministro como uma «das mais sofríveis para a democracia». André Ventura exortou o primeiro-ministro a tomar uma decisão se quer «ainda salvar a decência das instituições», avisando que a manutenção do ministro vai «continuar a destruir a imagem do Estado». O líder do Chega defendeu igualmente que é tempo de o Presidente da República, António José Seguro, intervir e ter uma «palavra de determinação num cenário que é desprestígio absoluto da democracia».
Do lado da esquerda, o coordenador do Bloco de Esquerda classificou os esclarecimentos como «evidentemente tardios» e considerou-os manifestamente insuficientes. José Manuel Pureza sustentou que a intervenção não se podia cingir à «interpretação de factos» apresentada pelo ministro, exigindo que o titular da pasta da Administração Interna apresente publicamente «documentação que comprove a sua versão dos factos mais importantes».
Por seu lado, o PCP apontou a existência de «pontas soltas» nas explicações prestadas e anunciou que quer ouvir o ministro na Assembleia da República. O dirigente comunista António Filipe considerou as declarações «manifestamente tardias» e criticou a «grande ligeireza» no cumprimento das obrigações declarativas e na realização de obras pessoais. Quanto à utilização das instalações da empresa Construbarcelos para guardar o atrelado apreendido no combate ao tráfico de droga, o responsável manifestou «uma grande incompreensão quanto à impossibilidade de se encontrar uma solução no âmbito do Estado», remetendo a continuidade de Luís Neves no Governo para a inteira responsabilidade do primeiro-ministro.