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«Interessa-me continuar a dar o meu contributo como cidadã»

«Interessa-me continuar a dar o meu contributo como cidadã»
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Luísa Teresa Ribeiro

Chefe de Redação

Publicado em 12 de abril de 2024, às 10:00

Elisa Ferreira perspetiva futuro depois da Comissão Europeia

 


A comissária da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, pretende continuar a contribuir para a vida pública, como cidadã, depois de terminar o mandato na Comissão Europeia.

«Interessa-me continuar, seja onde for, a dar o meu contributo como cidadã», afirmou ontem aos jornalistas portugueses, à margem do 9.º Fórum de Coesão, que termina esta sexta-feira, em Bruxelas.

Questionada sobre o seu futuro após deixar o cargo de comissária europeia, referiu que é «sobretudo uma professora universitária» e alguém que durante a vida foi «funcionária pública» e que fez «políticas de interesse público» como independente.

«Já passei anos a fazer cálculos de esgotos, passei anos a dar aulas, passei outros tempos como ministra, como deputada europeia e no Banco de Portugal. Tenho feito serviço público e terei alguma intervenção, mas acho que as pessoas têm também de respirar», disse.

«A minha vida depois de verá», declarou, apontando como prioridade «terminar bem o mandato» e deixar um legado de valorização da Política de Coesão. «Espero que até ao fim do mandato continue a sentir que fiz o melhor que estava ao meu alcance e que tive algum contributo para um projeto em que acredito muito, que é o projeto da Europa», revelou.

«O que eu gostaria é que a Política de Coesão se afirmasse ainda mais e que os cidadãos percebessem o quanto ela é importante e a defendessem, mesmo num contexto onde tudo parece ser posto em causa», sublinhou.

Em seu entender, «a Política de Coesão é aquilo que mais de perto toca as pessoas. Se formos perguntar, em Portugal, o que é a Política de Coesão, as pessoas não sabem. Mas se for ver a escola, o centro de saúde, o hospital, o centro de investigação, as empresas, as estradas, o saneamento básico, o abastecimento de água, o tratamento dos resíduos ou a introdução da separação dos resíduos, é difícil encontrar alguma coisa em que a Europa não esteja presente».

«As pessoas sentem que a Europa esteve lá, e isso foi, na maior parte dos casos, estimulado exatamente pela Política de Coesão, pelo FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, pelo Fundo de Coesão ou pelo Fundo Social Europeu», sustentou.

Na sua opinião, «a política não é para as infraestruturas, é para as pessoas, e o importante é que as pessoas sintam esta presença europeia, a valorizem, a protejam e não se deixem levar por conversas mais ou menos panfletárias que põem tudo em causa e deixam o terreno completamente vazio». 

Em relação às eleições europeias, marcadas para o próximo mês de junho, espera que «cada um pense pela sua cabeça, mas de uma forma séria e não vá atrás de conversas simplistas, que não são confirmadas pela realidade».