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Ordem dos Psicólogos defende regulamentação de aplicações móveis de saúde mental

Ordem dos Psicólogos defende regulamentação de aplicações móveis de saúde mental
Fotografia Ordem dos Psicólogos

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 04 de setembro de 2023, às 08:59

O bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Francisco Miranda Rodrigues, defendeu hoje que Portugal deveria "avançar o quanto antes" com a regulamentação das aplicações móveis de saúde mental para salvaguardar a segurança de quem as utiliza.

Segundo Francisco Miranda Rodrigues, os riscos associados ao uso destas aplicações - que ajudam por exemplo as pessoas a autogerirem a sua saúde mental através de técnicas de relaxamento e do registo de humores - "podem ser mitigados" com regulamentação.

"Até que ponto as aplicações são válidas, fazem o que dizem fazer, como protegem a privacidade das pessoas?", questionou, em declarações à Lusa.

Francisco Miranda Rodrigues falava à Lusa no dia em que a Ordem dos Psicólogos Portugueses promove, no Porto, a conferência "O fator humano na transição digital".

O bastonário espera que da iniciativa, organizada no Dia Nacional do Psicólogo, saia um compromisso do Governo e das empresas em como "vão ter em conta o fator humano na transição digital", uma vez que a tecnologia de nada serve "se não for feita" de forma a que as pessoas a "consigam utilizar, compreender e sentir segurança na sua utilização".

Por ocasião da conferência, a Ordem dos Psicólogos Portugueses lança um documento com "recomendações estratégicas" para o desenvolvimento e uso da tecnologia Inteligência Artificial (IA), tendo por base a salvaguarda de princípios como segurança, saúde e bem-estar das pessoas, ética da transparência, equidade, diversidade e inclusão, formação e promoção de literacia e privacidade.

A Ordem recomenda a regulamentação 'q.b.' do uso da IA de modo a "permitir a proteção dos consumidores" sem impedir o desenvolvimento tecnológico.

Por outro lado, de acordo com Francisco Miranda Rodrigues, será preciso "uma literacia mais desenvolvida" sobre IA, a começar na escola.

"A regulação, só, não chega, há um conjunto mínimo de informação que as pessoas têm de dominar mais", sustentou.

O bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses assinalou que a IA - que consiste na aplicação do conhecimento dos processos cognitivos humanos aos sistemas computacionais que reproduzem esses processos, permitindo criar conteúdos novos, como textos e imagens - deverá implicar "transformações no mercado de trabalho significativas", levando a que as pessoas tenham de "fazer transições entre trabalhos que vão deixar de existir" e empregos novos.

"Este processo causa sofrimento, logo tem impacto no bem-estar das pessoas", sublinhou, salientando que a transição obrigará a que as pessoas "tenham competências" que lhes permitam "fazer uma adaptação do ponto de vista emocional para a mudança", saber lidar com as perdas e "agarrar as oportunidades".