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Desinformação em Portugal e Espanha em sete pontos

Desinformação em Portugal e Espanha em sete pontos
Fotografia Unsplash

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 21 de junho de 2023, às 14:27

A crise económica nos media portugueses é um fator de preocupação para o fenómeno da desinformação.

A crise económica nos media portugueses é um fator de preocupação para o fenómeno da desinformação, embora Portugal esteja "menos exposto" a estratégias de destabilização, conclui um estudo do observatório Iberifier, divulgado esta quarta-feira.

Estas são algumas das conclusões do relatório "Análise do impacto da desinformação na política, economia, sociedade e questões de segurança, modelos de governança e boas práticas: o caso de Espanha e Portugal", elaborado pelo Observatório Ibérico de Media Digitais e da Desinformação, Iberifier, do qual a Lusa é parceira. As principais conclusões do relatório agrupam-se em sete pontos essenciais.

 

Preocupação com crise dos media e desinformação

Em Portugal, o principal fator de preocupação quanto à desinformação “é a situação financeira e a vulnerabilidade do ecossistema mediático”, em crise desde 2008, e agravada com a pandemia, a partir de 2020.

O setor português dos media "é frágil em termos económicos e profissionais, e do estatuto do valor jornalístico, notícias como património coletivo, em particular" o económico, os profissionais e as audiências e a sua relação com o conteúdo noticioso.

No que respeita à questão económica, existe uma "crise prolongada", que teve início em 2008-2011, "acentuada pela pandemia" de Covid-19, desde 2020.

 

Falta de investimento público nos media

O estudo aponta que a crise do jornalismo e a perda de credibilidade dos profissionais resulta "tanto do desinvestimento público" como do “desinvestimento do setor em profissionais, uma crescente politização do debate mediático por parte dos comentadores (que não são jornalistas, mas são usados pelos media para criar um clima de permanente disputa)".

 

Alertas de extremismo num país Portugal “menos exposto” à desestabilização

Apesar de Portugal apresentar “características sociodemográficas, económicas e políticas que o tornam menos exposto a estratégias de desestabilização”, há sinais de alerta.

Há hoje, alerta o Iberifier, "um surgimento de agressividade na linguagem pública dos novos partidos de extrema-direita (o Chega), com efeitos propagandísticos e de radicalização nos media e redes sociais", embora o país mantenha “uma relativa estabilidade social na ausência de problemas socialmente fraturantes”.

 

Campanhas de desinformação importadas

As campanhas de desinformação estudadas em Portugal são, sobretudo, importadas, como o caso da Covid-19 e a guerra na Ucrânia. Ao contrário da tendência europeia, em Portugal “é a corrupção que motiva mais campanhas e ações de manipulação e não a imigração”, lê-se no texto.

 

Mais confiança nos media em Portugal do que em Espanha

O problema da desinformação surge associado à perda de confiança dos meios de informação e há diferenças entre os dois países: a confiança nos media em Espanha está nos 13% enquanto em Portugal é de 40%, segundo o Eurobarómetro Media Trust.

 

Desinteresse pelas notícias maior entre mais pobres e menos educados

Tal como em Espanha - e a tendência é geral - são cada vez mais os portugueses desinteressados pelas notícias. O desinteresse pelas notícias "é maior entre os mais pobres e menos educados" e a saturação aumenta quanto a cobertura assenta repetidamente em tópicos importantes para a vida quotidiana, como por exemplo a pandemia de Covid-19, eleições ou guerra.

 

Indicadores sobre impacto social da desinformação

O projeto Iberifier propõe criar quatro indicadores para analisar o impacto social da desinformação. O primeiro é a disseminação, um indicador baseado em métricas como o número de vezes que uma informação errada ou fake news é partilhada ou tem um “gosto’ no Telegram ou Twitter, o número de contas que partilharam a publicação, o número de dias que uma determinada publicação é muito partilhada.

A transferibilidade pretende medir o efeito que uma informação ou notícia falsa noutros contextos, como a “poluição” na esfera pública ou a moldar a agenda dos media tradicionais. O consórcio pretendia ainda identificar e caracterizar disseminadores, incluindo bots, ou programas informáticos que executam e repetem ações automatizadas.

Um outro indicador é sobre a sustentabilidade da desinformação, que pretende avaliar a evolução de uma determinada informação falsa, medindo os efeitos de ter sido “desmontada” por verificadores (fact checkers), se a desinformação continua a ser usada passado algum tempo e se se propagou para outros países e línguas.