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Portugal registou 27 mortes por afogamento no primeiro trimestre, mais 12,5% que em 2022

Portugal registou 27 mortes por afogamento no primeiro trimestre, mais 12,5% que em 2022
Fotografia Unsplash

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 15 de junho de 2023, às 14:20

A maior parte dos afogamentos ocorreram à tarde, todos em locais não vigiados.

Portugal registou 27 mortes por afogamento no primeiro trimestre deste ano. Trata-se de uma subida de 12,5% em comparação com o mesmo período de 2022, de acordo com dados da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores.

Segundo os números do Observatório do Afogamento da federação divulgados em comunicado, as 27 mortes (22 homens, quatro mulheres e um cujo sexo não foi divulgado) já superam as 24 ocorridas no ano passado, entre01 de janeiro e 31 de março. Segundo o organismo, o aumento de mortes em meio aquático “reveste-se de especial preocupação, pois 2022 foi um ano com especial aumento do afogamento em Portugal”.

De acordo com os dados, a maior parte dos afogamentos ocorreram à tarde (48,1%), todos em locais não vigiados, e somente três foram presenciados e tiveram tentativa de salvamento. O mês de janeiro foi o mais mortífero, com dez mortes, seguido de fevereiro, com nove, e março, com oito.

O distrito de Leiria foi aquele onde se registaram mais mortes, com cinco, seguido de Faro (quatro), Lisboa e Setúbal (três cada), além do Porto e Santarém (dois cada). Entre os locais onde se deram mais afogamentos, o mar foi o que causou mais vítimas, com nove, seguido do rio com oito. Foram também registadas seis mortes em poço (duas), em porto de abrigo (duas) e em piscina doméstica (duas), além de uma morte em barragem, outra em tanque, outra numa marina e outra numa valeta. Em relação às idades, a maioria, 70,4%, tinha mais de 45 anos.

O Observatório do Afogamento é um sistema criado pela Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores para contabilizar as mortes por afogamento em Portugal. A 22 de maio, os municípios propuseram ao Governo a participação da Marinha na vigilância e salvamento de banhistas nesta época balnear, devido à falta de nadadores-salvadores, além da criação de uma carreira profissional com uma tabela remuneratória que torne atrativo este setor.

Segundo a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), estas autarquias assumiram competências no domínio das praias marítimas, fluviais e lacustres, mas “têm vindo a deparar-se com constrangimentos no que respeita à contratação de nadadores-salvadores para a época balnear”, um problema que não é deste ano, mas que se tem vindo a acentuar, e que exige “medidas de exceção”.

A Autoridade Marítima Nacional, a quem cabe assegurar o cumprimento e fiscalização das normas e regulamentos aplicáveis à assistência a banhistas, revelou que, até 10 de maio, foram certificados 582 novos nadadores-salvadores, elevando para 4 331 as pessoas que podem exercer esta atividade. A Autoridade Marítima realçou que o número normal de nadadores-salvadores no verão, em todo o país, é de entre 5 200 a 5 500, um número que ainda pode ser atingido este ano, assim que decorram os exames de aptidão técnica previstos.

Portugal conta na época balnear deste ano com 589 praias vigiadas por nadadores-salvadores, mais quatro do que em 2022, de acordo com a lista de águas balneares publicada em Diário da República.