twitter

Ucrânia. Guterres "profundamente preocupado" com suspensão do acordo sobre cereais

Ucrânia. Guterres "profundamente preocupado" com suspensão do acordo sobre cereais
Fotografia

Publicado em 30 de outubro de 2022, às 19:22

A Rússia anunciou, no sábado, a suspensão da sua participação no acordo sobre as exportações de cereais dos portos ucranianos.

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, está “profundamente preocupado” com a situação relativa ao acordo sobre as exportações de cereais da Ucrânia suspenso pela Rússia, indicou o seu porta-voz em comunicado.

Segundo Stéphane Dujarric, António Guterres está empenhado em “consultas intensas” para que a Rússia reverta a decisão de suspender o acordo, que é vital para o aprovisionamento alimentar mundial, pelo que decidiu adiar, por um dia, a partida para participar numa reunião da Liga Árabe, em Argel, na terça-feira.

De acordo com o comunicado, o secretário-geral continua a trabalhar "na renovação do acordo e na sua plena implementação”, para “facilitar a exportação de alimentos e fertilizantes da Ucrânia, bem como a eliminação dos obstáculos que ainda subsistem na exportação de produtos russos".

Hoje, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, conversou com Guterres, para “coordenar ações para garantir a exportação de cereais e fertilizantes da Ucrânia”.

Na rede social Twitter, Josep Borrell pediu para que Moscovo regresse ao acordo que permite a exportação de cereais ucranianos.

"A União Europeia fará a sua parte para conter a crise alimentar global", assegurou o chefe da diplomacia europeia.

Já o comissário europeu do Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevicius, considerou que a Rússia “encontra” a razão para bloquear o pacto, numa referência ao ataque contra Sebastopol que Moscovo apresentou como argumento para supender o convénio.

"Mais uma prova de quem é realmente responsável pela crise alimentar nos países em desenvolvimento. A Rússia pode e deve acabar com estes ‘jogos da fome’ com as vidas de milhões de pessoas”, acrescentou o comissário.

A Rússia anunciou, no sábado, a suspensão da sua participação no acordo sobre as exportações de cereais dos portos ucranianos após um ataque de 'drones' (aeronaves não tripuladas e controladas remotamente) que visou a frota russa estacionada na baía de Sebastopol, na Crimeia anexada.

O acordo, concluído em julho sob a égide da ONU e da Turquia, permitiu a exportação de vários milhões de toneladas de cereais retidos nos portos ucranianos desde a invasão russa em fevereiro, o que fez com que os preços dos alimentos disparassem, aumentando o receio da fome.

O Presidente russo, Vladimir Putin, subiu o tom das críticas ao acordo, apontando que as exportações da Rússia, outro grande produtor de cereais, estavam a ser prejudicadas pelas sanções.

A Crimeia, anexada em março de 2014 pela Rússia após uma intervenção das suas forças especiais e de um referendo denunciado por Kiev e pelo Ocidente, serve como quartel-general da frota russa do mar Negro e como base logística de retaguarda para a ofensiva russa na Ucrânia.


Autor: Agência Lusa