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Comité das Regiões teme que centralização do orçamento agrave disparidades territoriais

Comité das Regiões teme que centralização do orçamento agrave disparidades territoriais
Fotografia DR

Luísa Teresa Ribeiro

Chefe de Redação

Publicado em 13 de outubro de 2026, às 22:43

Alebrta lançado na abertura da Semana das Regiões

A presidente do Comité das Regiões Europeu, Kata Tüttő, manifestou ontem, em Bruxelas, a preocupação das regiões e dos municípios com a possibilidade de centralização do orçamento de longo prazo da União Europeia para o período 2028-2034, alertando para o risco de agravamento das disparidades regionais.

A responsável pelo órgão representativo do poder local e regional falava no Parlamento Europeu, na sessão de abertura da 24.ª Semana Europeia das Regiões e dos Municípios, que decorre até amanhã, na capital belga, subordinada ao tema “Regiões fortes, Europa forte”.

A antiga vice-presidente da Câmara de Budapeste, Hungria, alertou que «se a Europa quer ser mais forte no palco global, tem também de se manter forte internamente. O seu orçamento deve interligar os pontos fortes da Europa e ajudar mais territórios a desenvolver o seu potencial».

A responsável constatou que a competição entre prioridades está a tornar-se uma realidade no orçamento europeu, perspetivando que as regiões e as cidades competirão umas com as outras pela obtenção de investimentos públicos e privados.

«A promessa da Europa é uma prosperidade partilhada. Não podemos cumpri-la partindo do princípio de que o crescimento gerado num número reduzido de territórios acabará por chegar a todos. A coesão e a competitividade andam de mãos dadas, ligando a inovação às empresas, aos trabalhadores e às comunidades de toda a Europa», afirmou.

Em seu entender, a proposta em discussão muda a matriz de investimentos descentralizados para um modelo de investimentos centralizados e concentrados em poucos lugares, o que levará a que as regiões fortes se tornem mais fortes e as mais fracas ainda mais fracas.

«As regiões e os municípios trazem conhecimento, capacidade de investimento e a confiança dos cidadãos. O próximo orçamento da UE deve dar-lhes os meios para agir e garantir às pessoas uma verdadeira possibilidade de escolha para construírem o seu futuro onde se sentem em casa», declarou, sublinhando que a «Política de Coesão é parte da arquitetura de investimentos de competitividade da Europa».

 

Comissão aposta na simplificação

O vice-presidente executivo da Comissão Europeia para a Coesão e Reformas referiu que a modernização da Política de Coesão tem sido uma das suas prioridades. Raffaele Fitto considerou que, face aos novos e mutáveis desafios, a Europa precisa de um Quadro Financeiro Plurianual que «seja mais flexível e capaz de maximizar o impacto de cada euro investido».

Segundo este responsável, os planos nacionais e regionais de parceria introduzem «simplificação». «Reúnem intervenções atualmente abrangidas por 14 fundos diferentes e mais de 500 programas distintos. Passaremos a ter 27 Planos de Parceria Nacionais e Regionais», adiantou, referindo que introduzem também «uma abordagem integrada, criando sinergias entre estas políticas».

«O apoio continuará a centrar-se nas regiões. Mantemos as três categorias de regiões: menos desenvolvidas, em transição e mais desenvolvidas. Preservamos igualmente os princípios fundamentais da política de coesão: gestão partilhada, governação a vários níveis e parceria clara», declarou, assegurando que «as regiões desempenham um papel importante neste processo». Revelou que a Estratégia sobre o Direito de Permanecer vai ser adotada no início do próximo ano.

 

António Costa quer acordo até ao fim do ano

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, quer que o acordo para o orçamento plurianual da União Europeia para o período de 2028 a 2034 seja alcançado até ao final deste ano, sob pena de ter consequências nefastas na vida dos cidadãos europeus.

«Vou continuar a incentivar todos os envolvidos a negociar de mente aberta e num espírito de responsabilidade coletiva, com o objetivo de chegar a um acordo até ao final do ano. Isso é crucial para garantir que o próximo orçamento esteja operacional a partir do início de 2028», afirmou.

Na sessão de abertura da 24.ª Semana Europeia das Regiões e dos Municípios, no Parlamento Europeu, advertiu que «qualquer atraso teria repercussões na vida dos agricultores, empresas, estudantes, investigadores e inovadores e, claro, nas cidades e regiões».

O antigo primeiro-ministro português e antigo presidente da Câmara de Lisboa considerou que as negociações para o novo orçamento comunitário estão a entrar «numa fase decisiva». «A União Europeia necessita de um orçamento a longo prazo que dê resposta aos desafios deste momento histórico. Não se trata apenas de números. É uma escolha política sobre o nosso futuro e a Europa que queremos construir juntos», salientou, sublinhando que as «autoridades regionais e locais devem estar ativamente envolvidas na preparação, na execução e na avaliação dos novos planos ao abrigo do próximo Quadro Financeiro Plurianual».

O Conselho Europeu vai reunir-se quinta e sexta-feira, depois de, no passado sábado, a presidência irlandesa ter proposto cortes de 8% na proposta de orçamento plurianual da União Europeia para 2028 a 2034, fixando o valor total em 1,62 biliões de euros.

 

*Em Bruxelas, a convite da Comissão Europeia e do Comité das Regiões