O coordenador humanitário da ONU para a Ucrânia, Matthias Schmale, condenou hoje a nova vaga de ataques russos contra várias cidades ucranianas e defendeu que as organizações “não devem ser obrigadas a contar diariamente as vítimas civis”.
“Não devemos ser obrigados a contar diariamente as vítimas civis. Este ciclo de violência contra pessoas que apenas procuram viver as suas vidas tem de terminar”, afirmou o responsável para a Ucrânia do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).
Numa publicação no portal do OCHA, Schmale, condenou os ataques russos a Dnipro, Kiev e Odessa, que causaram pelo menos 16 mortes mortos e dezenas de feridos entre civis.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sibiga, condenou também hoje os ataques russos, considerando-os como “atos terroristas” e afirmando que foram dirigidos principalmente contra civis.
Sibiga especificou que quatro das vítimas dos ataques russos das últimas horas encontravam-se em Kiev, oito em Odessa, três em Dnipro e uma em Zaporijia.
Entre a manhã de quarta-feira e hoje, a Rússia lançou quase 700 drones de longo alcance e mais de 44 mísseis de longo alcance contra a Ucrânia, segundo as autoridades de Kiev.
Na mesma mensagem que difundiu através das redes sociais, Sibiga descreveu a última vaga de ataques russos com “crime de guerra”, instando a comunidade internacional a agir imediatamente.
“Durante a noite, tal como muitas pessoas em toda a Ucrânia, fui acordado pelo som de explosões no meu quarto de hotel em Dnipro. Algumas das maiores cidades do país – incluindo Dnipro, Kyiv e Odessa – foram alvo de um ataque maciço por parte das Forças Armadas da Federação Russa”, contou Schmale.
“Mais de uma dezena de residentes, incluindo uma criança, terão sido mortos, havendo ainda dezenas de feridos. O número de vítimas continua a aumentar à medida que prosseguem as operações de socorro. Para muitas comunidades, isto deixou de ser um ataque isolado para passar a fazer parte do quotidiano”., acrescentou o coordenador do OCHA para a Ucrânia.
Segundo Schmale, em cidades como Dnipro, os residentes têm enfrentado várias noites de ataques intensos, enquanto em Odessa os bombardeamentos se tornaram uma ameaça quase diária.
“Estes ataques estão agora a afetar comunidades muito para além da linha da frente. Mais uma vez, famílias viram as suas casas danificadas ou destruídas num instante. Outras passaram a noite em abrigos ou recolhidas em casa, tentando tranquilizar crianças aterrorizadas pelos alarmes e explosões incessantes”, relatou.
Segundo o responsável do OCHA, vários elementos das equipas de emergência ficaram igualmente feridos enquanto respondiam aos ataques, “o que reflete os riscos elevados e crescentes enfrentados por quem presta assistência às populações afetadas, incluindo trabalhadores humanitários”.
Para o chefe da diplomacia ucraniana, todas as medidas são necessárias para aumentar a pressão sobre a Rússia, acrescentando que "é imoral, contraproducente e perigoso" adiar as sanções contra a Rússia ou os pacotes de ajuda para a Ucrânia".
O ministro ucraniano pediu ainda para que mais países se juntem ao Tribunal Especial constituído pela Ucrânia – com o apoio da União Europeia (UE) – para julgar o presidente russo, Vladimir Putin, e outros líderes russos "não por abusos cometidos durante a guerra", mas pela própria decisão de iniciar e manter o conflito.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, mostrou-se hoje contra o levantamento de sanções internacionais à Rússia, após maciços bombardeamentos noturnos inimigos de hoje.
“Mais uma noite a provar que a Rússia não merece qualquer flexibilização da política global nem o levantamento das sanções”, declarou nas redes sociais, já que os Estados Unidos tinham suspendido as sanções ao petróleo russo face ao impacto nos preços do conflito do Médio Oriente.