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Greenpeace pede mais ação contra impacto ambiental dos plásticos

Greenpeace pede mais ação contra impacto ambiental dos plásticos
Fotografia Unsplash

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 26 de fevereiro de 2024, às 16:05

De acordo com a Greenpeace, o plástico contribui para 3 a 4% das emissões globais de gases.

A associação ambientalista Greenpeace pediu esta segunda-feira em Nairobi, na 6.ª Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente (UNEA-6), uma ação mais forte contra a crise dos plásticos, que está a acelerar as alterações climáticas.

"A procura de plásticos continua a crescer para satisfazer a necessidade de combustíveis fósseis. E isto aumentou as emissões e acelerou as alterações climáticas", afirmou Hellen Kahaso Dena, responsável pelo Projeto Pan-Africano de Plásticos da Greenpeace África, numa conferência de imprensa na UNEA-6, que hoje teve início na capital queniana. Dena sublinhou a "necessidade urgente" de um tratado global sobre os plásticos.

De acordo com a Greenpeace, o plástico contribui para 3 a 4% das emissões globais de gases e, se esta tendência se mantiver, este valor continuará a ser o mesmo em 2050. "Não podemos proteger o nosso clima, a nossa biodiversidade, a nossa saúde e travar a poluição se não reduzirmos a produção de plástico", afirmou Dena, acrescentando: "Para bem do nosso futuro e do futuro dos nossos filhos, não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar esta oportunidade única de acabar com esta crise".

Por seu turno, Seble Samuel, responsável pelas campanhas e pela defesa da África na Iniciativa do Tratado de Não Proliferação dos Combustíveis Fósseis, defendeu o respeito das sociedades locais por parte das grandes empresas. "Nem sequer somos donos da nossa energia. Sessenta por cento das operações de combustíveis fósseis em África estão sediadas no estrangeiro, a maior parte delas na Europa”, disse, considerando que se assiste a uma “neocolonização no setor da energia”.

Já o ativista Gerance Mutwol convidou os presentes a verem o impacto dos plásticos na capital do Quénia, que acolhe a Assembleia. "Basta sair daqui, conduzir ou caminhar durante alguns minutos e deparamo-nos com o rio Nairobi e, quando chegamos ao rio, só vemos plásticos", afirmou Mutwol. "Vimos em muitos casos que, durante a estação das chuvas, as inundações afetam as nossas comunidades e, quando se abre o esgoto, encontramos só plásticos. É assim que os plásticos estão realmente a afetar o nosso modo de vida", sublinhou.

A UNEA-6 reunirá "mais de 5.000 representantes de governos, da sociedade civil e do setor privado" no complexo da ONU em Nairobi até 1 de março, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), com sede em Nairobi.