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ONG pede urgência para inverter degradação dos rios que ameaça valor da água

ONG pede urgência para inverter degradação dos rios que ameaça valor da água
Fotografia Unsplash

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 16 de outubro de 2023, às 14:33

A Associação Natureza Portugal (ANP), em conjunto com a World Wildlife Fund (WWF), pediu hoje urgência para inverter a degradação dos rios, lagos, zonas húmidas e aquíferos, que tem ameaçado o valor económico da água.

“É urgente inverter este ritmo desastroso de destruição e degradação e resolver rapidamente os problemas relacionados com a água”, adiantou a diretora-executiva da ANP|WWF, Ângela Morgado, citada em comunicado.

A posição da organização não governamental (ONG) surge depois da WWF ter publicado, no âmbito do Dia Mundial da Alimentação, um estudo – High Cost of Cheap Water (O Alto Custo da Água Barata) – que concluiu que o valor económico anual da água e dos ecossistemas de água doce está estimado em 58 biliões de dólares (cerca de 55 biliões de euros, ao câmbio atual) – o equivalente a 60% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

De acordo com Ângela Morgado, a Lei Europeia do Restauro da Natureza “é necessária e pode ser um instrumento fundamental” para fazer face à crise, de forma a reparar “os ecossistemas de água doce vitais para a existência de água limpa e abundante para consumo, alimentação, indústria e biodiversidade”.

“A água é a base de toda a nossa existência enquanto espécie. Este relatório vem mostrar como a água doce e os seus ecossistemas são imprescindíveis para a nossa economia, saúde e ambiente. Rios, lagos e zonas húmidas saudáveis são essenciais para assegurar a nossa alimentação e a nossa própria sobrevivência”, sustenta.

A ANP|WWF lembra ainda que os ecossistemas mundiais de água doce estão numa espiral descendente.

“Cada vez mais pessoas enfrentam a escassez de água e a insegurança alimentar, uma vez que os rios e os lagos estão a secar, a poluição está a aumentar e as fontes de alimentos, como a pesca de água doce, estão a diminuir”, indica.

“(…) A extração de quantidades insustentáveis de água e as alterações dos caudais dos rios, bem como os impactos das alterações climáticas colocam ainda mais em perigo os ecossistemas de água doce - dois terços dos maiores rios do mundo já não correm livremente, e as zonas húmidas continuam a perder-se três vezes mais depressa do que as florestas”, acrescenta.

Em setembro, várias ONG europeias, entre as quais a WWF, alertaram para a necessidade de uma transformação estrutural da Política Agrícola Comum da União Europeia para apoiar uma transição justa para a sustentabilidade, considerando que a remodelação dos sistemas alimentares é essencial para salvaguardar a “capacidade de produzir alimentos a longo prazo, acabar com a fome, e enfrentar as múltiplas crises ambientais mundiais”.