Piloto da McLaren desde 2021, Ricciardo terminou a época de 2022 num modesto 11.º lugar, empatado com Sebastian Vettel, com 37 pontos, e será substituído na próxima temporada, na equipa inglesa, pelo seu compatriota Oscar Piastri.
Após a passagem relativamente bem sucedida pela Renault, o piloto australiano foi consistentemente batido por Lando Norris, o jovem colega de equipa na McLaren, acumulando consideravelmente menos pontos que o britânico em 2021 e 2022. Ricciardo queixava-se de dificuldades em adaptar-se ao monolugar da McLaren e, mais recentemente, de desconforto com a imprevisibilidade das reacções do carro – às quais Lando Norris se adaptou melhor. Apesar da vitória no Grande Prémio da Itália de 2021, as dificuldades ditaram a separação entre Daniel Ricciardo e a McLaren, o que deixou o piloto sem lugar para 2023. Sabe-se que o australiano nem sequer tentou obter um lugar numa equipa mais lenta, como a Haas e a Williams, e dirigiu a sua equipa de gestão a negociar com a Mercedes e a Red Bull. A intenção seria manter-se ligado à Fórmula 1 enquanto se permitia parar para compreender as dificuldades dos últimos anos. Além disso, as duas equipas podem ter um lugar livre para competir em 2024. Entre as duas, é na Red Bull que há maiores hipóteses disso acontecer, dado que Lewis Hamilton já expressou publicamente o desejo de permanecer na F1 por mais anos e George Russell, o colega de equipa do heptacampeão, tem 24 anos e venceu, há nem sequer duas semanas, uma corrida pela primeira vez. Essa mesma corrida que George Russell venceu ficou marcada por tensões públicas na Red Bull, entre Max Verstappen e Sergio Pérez. O mexicano tinha cedido, a pedido da equipa, o sexto lugar ao neerlandês, para que este pudesse ultrapassar os carros à frente, mas tal não aconteceu. Quando a equipa pediu a Verstappen para devolver o lugar a Pérez – para quem cada ponto extra era valioso na luta pelo segundo lugar no campeonato –, o bicampeão não o fez, ignorando a ordem de equipa durante a última volta. Sergio Pérez acabou por ser derrotado pelo monegasco Charles Leclerc, da Ferrari, na luta pelo segundo lugar.Para a Red Bull, o regresso de Daniel Ricciardo à casa que o formou é um reforço de valor para a equipa, que o pode usar como substituto caso algum dos quatro pilotos efetivos das duas equipas taurinas fique indisponível. Pode, por outro lado, manter a pressão em Pérez, mostrando que tem um piloto pronto a ocupar o lugar do mexicano caso este não cumpra com o que é esperado dele a nível de performance e de apoio a Verstappen.
Resta saber se, no trabalho no simulador, a Red Bull ainda encontra o mesmo Ricciardo de antes.
Autor: João Pedro Quesado