O SC Braga prepara-se para receber o FC Famalicão esta quinta-feira, pelas 18h45, no Estádio Municipal de Braga, em partida referente aos quartos de final da Taça da Liga. Na antevisão ao encontro, o técnico dos 'gverreiros', Franclim Carvalho, abordou a necessidade de dar uma resposta imediata após o desaire recente na Madeira, sublinhando a ambição clara do clube em carimbar o apuramento para a Final Four: «A reação que nós temos que ter é sentir o peso da responsabilidade da camisola que carregamos e trazemos ao peito. [...] O segundo objetivo principal da temporada é este mesmo, que é marcar presença na Final Four, e é para isso que vamos competir amanhã.»
Eis as questões direcionadas a Franclim Carvalho, esta tarde, na conferência de imprensa realizada na Cidade Desportiva.
Que reação espera por parte do grupo depois do jogo na Madeira, e que dificuldades prevê frente a este adversário que chegará certamente motivado, sabendo que o Braga procura uma reação após a goleada sofrida no terreno do rival?
A reação que nós temos que ter é, obviamente que nós, e eu disse-vos isso no final do último jogo para o campeonato, que nós estávamos todos desiludidos e sentimos o peso da responsabilidade, obviamente, da camisola que carregamos e trazemos ao peito. Mas, eu disse aos jogadores no final do jogo, fomos bafejados pela sorte, porque temos passado 3 dias, temos um jogo para disputar. E é o momento ideal para dar uma resposta. Competição diferente, adversário diferente, jogo em casa, nós sabemos que os nossos adeptos estão desiludidos, precisamos do apoio dos adeptos, como tivemos na passada quinta-feira, e é um jogo em que é a eliminar, como disse bem, e que passa pelo segundo objetivo da temporada do Sporting de Braga: o primeiro era entrar na fase de grupos da Conference League, e o segundo é este mesmo, que é marcar presença na Final Four, porque estamos a falar na questão temporal. O segundo objetivo principal da temporada é esse, e é para isso que nós vamos competir amanhã, para marcar presença nessa Final Four, nós queremos estar na decisão da competição.
2. Mais do que frustrado ou desiludido, como disse agora, pergunto-lhe se também ficou preocupado com a atuação do Braga no jogo?
A euforia e a depressão não podem estar distantes de três dias. Temos de ter o pé no chão: nem tudo estava bem na quinta-feira e nem tudo estava mal no domingo. Obviamente que nós sabemos que era um jogo diferente, que o adversário vinha de um momento muito negativo, e que nós estivemos muito abaixo da nossa capacidade e do que esta camisola exige, como eu disse no final do jogo. Não estou preocupado, estou ciente da realidade, de que nós temos muito trabalho pela frente, já disse isso aos jogadores, e eles têm trabalhado muito. Amanhã vamos dar uma resposta que este símbolo exige, que é ganhar e conquistar o nosso lugar na Final Four desta competição.
3. Vê estes próximos dois jogos como uma oportunidade para tranquilizar, digamos assim, os adeptos, e como é que está o ambiente dentro do balneário?
Os adeptos do SCBraga são ambiciosos como nós. Esta casa assim o exige, e é um sentimento que é comum a quem está cá dentro e a quem está de fora a acompanhar, neste caso os adeptos. Os adeptos não esperam tranquilidade, esperam vitórias, esperam conquistas, esperam presenças nas decisões, e como eu disse, esta competição tem este jogo a eliminar, e depois marcamos presença na Final Four. Em três jogos podemos conquistar um troféu, e é para isso que vamos lutar.
Quanto ao ambiente no balneário, quando não se ganha, a cara de quem ganha não é igual a quem perde, quando toda a gente fala há muito tempo, obviamente que nós sabemos da responsabilidade que temos. Estamos com fome e estamos com vontade de que chegue a hora do jogo de amanhã.
4. Se a equipa não rendeu o que sabe e pode, e já fez esta autocrítica, pergunto se a equipa vive alguns fantasmas também do passado, se percebe isso no treino, se percebe isso no jogo, que se calhar não arrisca como deve arriscar — são poucos treinos, mas sente fantasmas na equipa de alguma forma?
O ser humano é de hábitos. Portanto, nós temos que compreender isso, e indo ao encontro da sua introdução da questão, a equipa não pode ser à minha imagem com seis treinos e três jogos, ou o terceiro jogo. Obviamente que todas as pessoas têm as suas ideias, eu disse aos jogadores que eles faziam muita coisa bem, e que nós não vamos cortar completamente com tudo do passado. Agora, nós também queremos colocar o nosso cunho pessoal, e temos colocado ao longo destes dias; não nos vamos agarrar ao tempo, como eu disse na apresentação, temos colocado esse cunho pessoal ao longo destes dias. Agora, o ser humano é de hábitos, portanto isto requer algum tempo de adaptação. Em treino e em jogo eu não posso acusar os jogadores de falta de empenho, de dedicação, de correr e de lutar, não posso. Obviamente que nós temos que ganhar jogos, ganhar, ganhar, ganhar, precisamos de tempo para ganhar, e depois estas vitórias é que vão fazer com que os jogadores consigam extrair ao máximo a capacidade deles, porque nós sabemos todos que o que estamos a mostrar não é o que este clube é e pode.
5- O que é que se quer em concreto de uma equipa ou de um jogador? Se olharmos pela positiva, o que quer do seu Braga é a imagem do Fran Navarro, por exemplo, no jogo?
O que eu quero do meu Braga é a imposição no jogo da nossa forma de ser. Nós não podemos remeter isto ao comportamento ou à dedicação de um só jogador, neste caso do Fran, do Fran Navarro, e temos que sim ter um pensamento comum, que vai desde cima, desde o presidente até aos adeptos. E é isso que nós queremos, é isso que nós temos passado aos jogadores, porque como eu disse desde a apresentação, esta camisola requer muita responsabilidade. Nós sabemos que o volume ofensivo na Madeira foi alto, também em função do adversário, pelo lado estratégico do adversário, o volume ofensivo foi alto, nós estivemos em zona alta, mas sabemos que temos que ser letais e temos que ser mais incisivos, mais agressivos nesse momento do jogo, e não fomos — por isso é que não fizemos nenhum golo. Nós fizemos 20 ou 21 remates, e não fizemos nenhum golo; fizemos dois à baliza, mais um ao poste, e não fizemos nenhum golo, porque nos faltou esse lado. Não vou aqui apontar, como eu disse, não tenho nada a apontar aos jogadores de falta de dedicação ou de correr, nesse aspeto estou completamente à vontade, estou muito satisfeito com a resposta dos jogadores. Agora, como eu disse, nós precisamos de tempo, mas este tempo tem de ser ganho, porque nós jogamos de 3 em 3 dias até à próxima paragem. Portanto, temos mais dois dias e quatro jogos, que são todos decisivos para nós. Não adianta pensar no quarto, adianta pensar no próximo, que é a eliminar, e nós queremos ganhar para marcar presença na Final Four da competição.
6- Já não é a primeira vez que tanto o capitão de equipa, como já vimos no último jogo, também fez uma autocrítica para dentro e para fora. Sinto que há jogadores que ainda não perceberam a sensibilidade da camisola de que tanto falou agora?
Não, eu falo muito disto porque nós temos que perceber a responsabilidade que esta camisola traz pelo peso que tem no panorama nacional e até internacional, em que nós temos de marcar presença todos os anos nas competições europeias. Portanto, nós vamos a qualquer parte da Europa e quando a gente vê o suporte, percebe a exigência. Isto requer responsabilidade. Isto requer responsabilidade para o nosso lado. E quem dá a cara são os jogadores e o treinador. O treinador é o elemento da estrutura de um clube que mais fala para fora em Portugal. Não é o presidente, nem é o capitão, nem é o diretor executivo, é o treinador. Portanto, quem dá a cara são os jogadores que andam lá dentro do campo e é o treinador que está à frente dos jogadores a dar essa mesma cara. E isto traz responsabilidade para nós, como eu disse. O peso da camisola é nesse sentido.
Quanto às declarações, quer do capitão, quer do subcapitão, obviamente que quando não se ganha, nós tentamos... quando nós procuramos encontrar respostas, quando se ganha parece que está tudo bem, como eu disse. E nós não podemos entrar por esse caminho: na quinta-feira, às dez da noite, não estava tudo bem, e no domingo, às oito da noite, não estava tudo mal. E não vai ser assim que nos vamos orientar. Nós sabemos onde queremos chegar, sabemos o caminho que temos de trilhar, sabemos que vamos ter aqui alguns percalços pelo caminho, sabemos que vamos ter mais vitórias do que derrotas, sabemos que não vamos terminar nesta posição no campeonato, sabemos que vamos ganhar muito jogo e marcar muito golo e dar muitas alegrias aos adeptos. Portanto, este momento é duro para nós, custa-nos viver este momento. Nós estamos a passar um momento duro para quem está cá dentro, porque nós sofremos. Não são só os adeptos que sofrem, nós também sofremos. Como damos a cara assumindo a responsabilidade no final de um jogo... o capitão ou o subcapitão falar — neste caso foi o Vítor Carvalho, falar no final de um jogo, da forma como foi o jogo, é normal que esteja quente, que diga algumas coisas muito a quente, como disse, mas é um pensamento comum que nós temos, que se todos dermos um bocadinho mais, estamos mais perto de ganhar. Não quero dizer que estamos a apontar o dedo a alguém, ou que não sentem o peso e a responsabilidade, não é isso que está em causa.