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ICNF está a analisar pedido de parecer sobre percurso da Volta a Portugal em bicicleta

Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 15 de julho de 2026, às 18:20

A 7.ª etapa, agendada para 13 de agosto e que atravessa o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), tem gerado preocupação e críticas por parte de associações ambientais

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) adiantou hoje que está a analisar o pedido de parecer sobre o percurso da Volta a Portugal em bicicleta, que inclui uma etapa que atravessa o Gerês.

A 87.ª edição da Volta a Portugal em bicicleta decorre entre 05 e 16 de agosto, unindo Lisboa e Porto ao longo de 1.388 quilómetros, distribuídos por um prólogo, nove etapas em linha e um contrarrelógio.

“O ICNF recebeu um pedido de parecer sobre o percurso da Volta a Portugal em Bicicleta, que se encontra em análise”, refere este Instituto, em resposta enviada hoje à agência Lusa.

A 7.ª etapa, agendada para 13 de agosto e que atravessa o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), tem gerado preocupação e críticas por parte de associações ambientais, que contestam a passagem dos ciclistas, sobretudo pela Mata da Albergaria, no concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga.

A etapa parte de Vieira do Minho, passará pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, subirá à Portela de Leonte pela Estrada Nacional 308-1 e atravessará depois a Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à Portela do Homem.

A Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável já exigiu, em comunicado enviado no sábado à agência Lusa, mais esclarecimentos à Federação de Ciclismo e ao ICNF sobre esta etapa da Volta que passa em “zona crítica” do PNPG.

A associação ambientalista lembra que o PNPG “é a única área classificada como Parque Nacional em Portugal, integra a Zona Especial de Conservação Peneda/Gerês e inclui zonas de proteção parcial e total — como a Mata de Albergaria, classificada Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa — sujeitas a regras específicas de circulação, acesso e uso do solo rústico”.

A Zero revela que solicitou à Federação Portuguesa de Ciclismo e ao ICNF esclarecimentos sobre a situação, apelando a estas entidades e também à organização da prova “a tornarem público o traçado exato e a documentação de autorização referente à passagem pelo Parque Nacional, permitindo um escrutínio informado por parte da sociedade civil”.

Também hoje, a Fapas – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade assumiu “profunda preocupação” com a passagem da Volta a Portugal em bicicleta pelo PNPG, classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.

“Nada nos move contra a Volta a Portugal, mas muito nos mobiliza em defesa do nosso único Parque Nacional: a biodiversidade, a paisagem, a cultura local, o turismo rural, entre muito outros valores que o Parque Nacional deve acautelar”, refere a Fapas, em comunicado.

A 7.ª etapa (13 de agosto, Vieira do Minho – Termas do Gerês) atravessa o PNPG, “incluindo a subida inédita a Germil [concelho de Ponte da barca] e uma incursão em território espanhol junto à fronteira”.

“Não serão só os ciclistas a atravessar a Mata de Albergaria, uma das áreas mais sensíveis do PNPG, mas também uma numerosa e ruidosa comitiva de acompanhamento constituída por automóveis, motos, altifalantes, sirenes e espetadores”, diz a Fapas.

Esta associação aponta que, “depois de inúmeras atrocidades feitas e tentadas no PNPG faltava esta atividade”, lembrando que a mesma está “sujeita a parecer do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade que gere o PNPG”.

“Não faltam locais montanhosos em Portugal onde esta competição se poderia realizar, mas acertaram logo numa área protegida, o que mostra, por um lado, a profunda iliteracia ambiental e, por outro, o enorme recuo das medidas e ações de conservação da natureza”, acusa a Fapas.

Nesse sentido, diz ter solicitado mais esclarecimentos à ministra do Ambiente e ao ICNF.

“Que divulguem publicamente o parecer que o ICNF deu (se é que deu!) sobre esta a travessia da Mata de Albergaria pela ruidosa Volta a Portugal em Bicicleta 2026. É que, se o ICNF não deu parecer, então a situação é mais grave!”, lê-se no comunicado.