As sociedades desportivas dos campeonatos profissionais aprovaram hoje, com cerca de 80% dos votos, a proposta apresentada pela Liga Centralização para a distribuição das futuras receitas provenientes da comercialização dos direitos audiovisuais do futebol português.
A decisão foi tomada durante uma Assembleia Geral (AG) Extraordinária da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), realizada na sede do organismo, no Porto.
A proposta aprovada assenta num modelo que combina diferentes critérios de repartição, valorizando o mérito desportivo, o desempenho nas competições nacionais, o ranking europeu da UEFA e o histórico recente dos clubes na I Liga.
Segundo a chave de repartição aprovada, no escalão principal, a distribuição das verbas vai ser definida por cinco critérios e a maior fatia está ligada ao sucesso desportivo, uma vez que 57,5% do valor será alocado em função da posição final no campeonato, do histórico de classificações e da contribuição para o ranking da UEFA.
Haverá ainda 20% repartidos pelos clubes em partes iguais, enquanto os restantes critérios incluem em parcelas mais pequenas as assistências médias nos estádios e as audiências televisivas (17,5%), as condições proporcionadas para as transmissões (cerca de 3%) e a qualidade dos relvados, da iluminação e das condições para o trabalho da comunicação social (2%).
A votação decorreu num contexto de algumas divergências entre os clubes quanto à fórmula de repartição das receitas.
O principal modelo alternativo foi apresentado pelo Nacional, que defendia uma distribuição mais igualitária, propondo que cerca de metade do valor global a negociar, estimado em aproximadamente 250 milhões de euros anuais, fosse repartido em partes iguais entre os participantes.
Antes da votação principal, o Nacional viu rejeitado um recurso que pretendia a votação simultânea da proposta da Liga Centralização e da proposta alternativa do clube madeirense, mas nenhuma das sociedades desportivas presentes apoiou formalmente esse pedido.
Os presidentes de Benfica, FC Porto e Sporting não marcaram presença na reunião, e entre os dirigentes presentes estiveram António Salvador, presidente do Sporting de Braga, Rui Alves, presidente do Nacional, Carlos André Gomes, do Marítimo, Paulo Lopo, do Estrela da Amadora, Miguel Ribeiro, do Famalicão, e José Miguel Albuquerque, do Alverca.
A aprovação da chave de repartição surge cerca de um mês depois de a AG da LPFP ter aprovado o modelo de comercialização dos direitos audiovisuais para o mercado doméstico, completando assim duas das etapas centrais do processo de centralização.
Com a aprovação alcançada por uma maioria qualificada de cerca de 80%, a Liga Portugal reforça o consenso em torno do novo modelo, que deverá enquadrar a distribuição das receitas televisivas do futebol profissional português que entre em vigor a partir da época 2028/29.