Rita Rodrigues está de volta às grandes competições internacionais de Tiro, depois de um interregno de um ano e meio devido ao nascimento do seu filho. A atleta de Vieira do Minho já está no Cazaquistão, onde vai competir na Taça do Mundo de Armas (ISSF), em Almaty, a partir da próxima sexta-feira, depois de já ter alcançado um triunfo em provas nacionais e marcado igualmente um segundo lugar.
O Diário do Minho falou com a atleta, antes de um treino feito no Clube de Tiro de Braga e que serviu de preparação para esta importante prova.
«Esta Taça do Mundo é a primeira prova que eu tenho a seguir ao nascimento do meu filho. Vai ter uma sensação especial, porque tive quase um ano e meio ausente das provas internacionais, então é a primeira vez também que o deixo e fica um certo nervosismo. Mas no fundo fica a ideia de que as mães também devem continuar os seus sonhos, os seus sonhos desportivos, e é isso que eu quero mostrar, que é possível praticar desporto, é possível estar no alto rendimento, mesmo sendo mãe, e continuar os meus projetos», sublinhou.
Rita Rodrigues confessou que a preparação é agora diferente nesta nova etapa da sua vida, mas a exigência aumenta.
«Agora tenho três atividades. Sou mãe, sou fisioterapeuta e atleta, então divide-se mais um bocadinho, mas é mais agradável ele estando junto, perto de nós, é tudo mais fácil de fazer.
Claro que é o que eu digo, a logística implica mais apoio do pai também, e ele tem estado sempre presente para eu poder treinar mais e para poder estar a preparação melhor», disse a atiradora.
«O meu grande objetivo são os Jogos de 2028
Os objetivos desportivos para a Taça do Mundo no Cazaquistão passam por testar o momento de forma de Rita Rodrigues, mas a atiradora vieirense tem como grande objetivo marcar presença nos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles.
«Eu vou para fazer o meu melhor. Sei que a ausência da competição traz coisas um bocadinho diferentes.
Neste início da época eu notei que estar muito
tempo sem competir tornou as coisas mais
difíceis.
Mas com o objetivo, que são os Jogos de 2028, tenho que traçar etapas e resultados, metas individuais, para já que eu tenho feito a nível interno, e o meu melhor, se for o melhor na competição, que seja ótimo, e eu estou lá para defrontar as melhores e fazer o meu melhor. Sobre os Jogos Olímpicos, acho que é perfeitamente possível porque agora estou mais madura e posso fazer uma melhor gestão de todos os aspectos competitivos», vincou Rita Rodrigues.
«O desporto passou
a não ser aquilo
que é mais importante»
Ser mãe trouxe também novos sentimentos e prioridades para Rita Rodrigues que passa a encarar agora a competição de forma diferente, o que poderá trazer até dividendos competitivos. «O desporto passou a não ser aquilo que é mais importante. Antigamente era. Se me faltasse a competição ou se não corresse bem, era o fim do mundo. Agora eu saio da série e se correr mal, a seguir está tudo bem porque ele [o meu filho] está-se a rir e está à minha espera. Isso passa a ser secundário e eu acho que isso também permite uma certa leveza na competição, fica mais leve, eu acho que é importante», disse.
Mágoa com corte
de verbas por parte
da autarquia
Rita Rodrigues destacou os apoios de empresas privadas que a têm ajudado nos treinos e logística mas mostrou-se magoada com o corte de verbas por parte da autarquia de Vieira do Minho.
«Hoje estou acompanhada também pelo Jorge, pela empresa JB7, que tem feito um apoio imprescindível neste início da época porque é preciso apoios para poder treinar mais e despender mais tempo para a preparação.
Este ano é extremamente difícil, porque o município de Vieira do Minho cortou os apoios. fiz a mudança para Vieira do Minho, para o Clube de Caça e Pesca de Vieira do Minho, através da Câmara Municipal, que acharam que não fazia sentido eu atirar pela Póvoa de Lanhoso e ser de Vieira do Minho, e voltei. E este ano o município achou que não era importante, ou que não era prioritário o apoio à modalidade olímpica, com muita tristeza minha. Acho que é valorizar e é diferenciador uma modalidade olímpica de uma modalidade não olímpica, quem participa no desporto sabe disso. Toda a gente deve ser apoiada, mas nós especialmente. Foi uma machadada difícil, mas as empresas de Vieira do Minho e o Jorge [JB7] têm feito esse trabalho e valorizam o desporto de uma maneira diferente. E eu acho que com apoios assim vai ser possível atingir os objetivos», disse.