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Edifício da Câmara Municipal de Braga vandalizado: “Sem casas não há futuro"

Fotografia DR

Publicado em 22 de outubro de 2026, às 13:27

Manifestação pela crise da habitação deixa marcas no património do concelho

O edifício da Câmara Municipal de Braga acordou hoje pintado com a frase “Sem casas não há futuro”, escrita a vermelho numa das paredes do património concelhio. O ato levou o presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, a reagir através da sua conta pessoal na rede social Instagram, onde condenou a vandalização do imóvel e alertou para o perigo da normalização de discursos de intimidação.

A intervenção na fachada do edifício municipal surge num momento em que a problemática do acesso à habitação e do aumento do custo de vida tem motivado várias ações de protesto no concelho e no país. Apesar de demonstrar concordância com a mensagem transmitida na pintura, o autarca bracarense fez questão de repudiar a forma escolhida para manifestar essa indignação, frisando que «concordo com a frase, mas condeno em absoluto a forma escolhida para a escrever».

Na publicação partilhada esta manhã, João Rodrigues assegurou conhecer «bem a dimensão do problema da habitação», compreendendo a «indignação de quem não consegue pagar uma casa» e admitindo a quantidade de trabalho que o executivo tem pela frente. Contudo, o responsável sustentou que esses constrangimentos «não podem servir de desculpa para tudo», acrescentando que as pinturas na parede não representam o ponto mais grave da situação, mas sim «um exemplo que merece ficar registado, sobretudo quando já se ouvem apelos descarados a que se reproduzam em Portugal os confrontos e os episódios de violência» registados noutros países, como em França.

O presidente da autarquia expressou igualmente apreensão em relação ao ambiente que se tem vivido, afirmando que o preocupa «a normalização de discursos de intimidação e ameaça» e o «silêncio de quem receia condená-los, não vá parecer que está contra o direito à habitação». No seu discurso, João Rodrigues saiu em defesa da maioria da população, sublinhando que «os moderados» não têm de pedir desculpa por o serem nem de apresentar provas de sensibilidade social para defender princípios elementares, recordando que «a moderação não é tibieza nem falta de coragem».

Embora tenha ressalvado que «pintar uma parede não é o mesmo que ameaçar ou agredir», o líder do município defendeu que não é necessário «esperar pelo pior para dizer onde estão os limites». Reiterando o seu «profundo respeito» pela liberdade de manifestação, João Rodrigues avisou que a autarquia não irá tolerar «a vandalização do património que pertence a todos, a intimidação de quem pensa de maneira diferente ou a ameaça a quem tem a coragem de falar», nem a violência enquanto forma de imposição de ideias.

O edil lembrou que a Câmara Municipal pertence a todos os bracarenses e vincou que quem se manifesta pacificamente «não deve ser confundido com quem ultrapassa estes limites». A fechar a sua tomada de posição, o autarca garantiu que o executivo vai continuar «a ouvir, a reconhecer as dificuldades e a trabalhar por soluções», garantindo, no entanto, que não ficará calado perante o que considera «inaceitável».