O Museu dos Biscainhos abriu, esta segunda-feira, as portas do seu salão nobre para dar a conhecer o resultado da intervenção efetuada na pintura do teto daquela divisão do Palácio salvaguardando assim um património com três séculos.
A recuperação foi financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e representou um investimento de aproximadamente 60.000 euros + IV, incidindo assim sobre um dos elementos mais emblemáticos do museu: a pintura do teto do Salão Nobre, datada de 1724 e atribuída a Manuel Furtado de Mendonça.
Trata-se de uma obra de excecional valor artístico, histórico e simbólico, reconhecida como um importante testemunho da pintura decorativa barroca em Portugal. Encomendada por Francisco Pereira da Silva, então Deão da Sé Primaz de Braga e Senhor da Casa dos Biscainhos, a pintura assinala o centenário do martírio do Beato Miguel de Carvalho, jesuíta bracarense martirizado no Japão em 1624, conferindo-lhe uma forte dimensão memorial e espiritual.
O avançado estado de degradaçãornou esta intervenção imprescindível, permitindo estabilizar os suportes, salvaguardar a integridade da pintura e valorizar os seus elementos decorativos, garantindo a sua preservação para as gerações futuras e reforçando a qualidade da experiência dos visitantes.

Esta semana o Salão Nobre reabriu assim com o teto num esplendor de cor e de conteúdo que o afirma como uma das principais obras setecentistas em Portugal e cujo tema - o martírio de Miguel de Carvalho, faz dele um património único em Portugal.
Com esta obra, o Palácio dos Biscainhos reafirma o seu compromisso com a proteção e valorização do património cultural, contribuindo para a preservação da memória histórica de Braga e do país. sobre o Salão Nobre Espaço de aparato por excelência, o Salão Nobre foi, no século XVIII, o principal cenário de representação social do Palácio, destinado à receção de convidados, cerimónias e festividades. A sua decoração constitui um notável exemplo do ideal barroco de Arte Total, conjugando pintura, azulejaria e talha num programa integrado. Destaca-se a pintura do teto abobadado, datada de 1724 e atribuída a Manuel Furtado de Mendonça, que assinala o centenário do martírio do jesuíta bracarense Miguel de Carvalho, ocorrido em Omura em 1624.
A composição exalta a figura do missionário e evoca um capítulo singular das relações entre Portugal e o Japão, testemunhando a presença portuguesa no Extremo Oriente e a ação evangelizadora desenvolvida naquele território. O conjunto é complementado pelo revestimento azulejarrepresentativo do Ciclo dos Mestres (1695-1725), período áureo da azulejaria portuguesa, e pela exuberante talha barroca, expressão da vitalidade artística do Minho. Nas paredes destacam-se ainda retratos de membros da família real portuguesa, reforçando a ligação simbólica das elites à Coroa e a afirmação do seu estatuto social. sobre o beato Miguel de Carvalho Nascido em Braga em 1579, entrou na Companhia de Jesus em 1597, tendo sido missionário em Goa, Macau e posteriormente Japão, onde viria a morrer queimado na fogueira a 25 de agosto de 1724, devido à intolerância religiosa que reinava no Japão neste período.
Em 1724 o Deão Francisco Pereira da Silva, senhor da Casa dos Biscainhos, e sobrinho neto de Miguel de Carvalho, manda imortalizar numa pintura do teto do Salão Nobre, de autoria de Manuel Furtando Mendonça, o martírio deste seu antepassado. A 7 de maio de 1867 o Papa Pio IX beatífica Miguel de Carvalho, sendo a sua festa litúrgica no dia do seu martírio.