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Superação e companheirismo unem 1500 bombeiros nos Escadórios do Bom Jesus

Fotografia DM

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 26 de setembro de 2026, às 19:01

Bombeiros receberam palavras de incentivo do público ao longo da prova

Os Escadórios do Bom Jesus foram palco de verdadeiros exemplos de superação humana em mais uma edição dos Escadórios da Humanidade. 

Nesta oitava edição, que se realizou este sábado, participaram cerca de 1500 bombeiros, nacionais e estrangeiros, provenientes de 309 corporações, a quem coube enfrentar o desafio de subir 566 degraus, num percurso de 615 metros e com um desnível de 116 metros, equipados com o respetivo Equipamento de Proteção Individual. Do estrangeiros vieram bombeiros de 16 nacionalidades.

Mais do que uma competição, a subida dos escadórios representa, para muitos bombeiros, um desafio às suas capacidades físicas e também mentais, já que a força de vontade é determinante nesta prova de superação.

Alguns bombeiros associam à prova promessas. Cristiano Alves, dos Bombeiros Voluntários de Freamunde, subiu os escadórios com a sua filha, de apenas dois meses, ao colo. Depois de, em anos edições anteriores, ter encarado a prova numa perspetiva mais competitiva, desta vez o objetivo foi outro. 

«É mesmo para cumprir esta promessa de subir os escadórios com a minha filha, e espero também fazer de seguida uma segunda subida com o meu filho», afirmou, antes de iniciar a prova.

O bombeiro destacou ainda o convívio e o companheirismo entre os participantes como uma das razões que o levam a participar no evento.

Também Filipa, uma bombeira e estudante do Instituto Politécnico de Portalegre, regressou aos escadórios do Bom Jesus para cumprir uma promessa feita na edição do ano passado: subir envergando o traje académico.

Esta prova é encarada por alguns participantes como uma experiência de peregrinação, num percurso marcado pelas capelas onde, durante a Quaresma, é celebrada a Via-Sacra.

A subida começou no Pórtico do Bom Jesus, com os participantes organizados em fila. Antes da partida, o júri verificou as condições dos equipamentos, incluindo a pressão das garrafas de ar comprimido que muitos transportavam às costas.

Paulo Godinho, dos Bombeiro dos Sapadores de Leiria, participou pela primeira vez e descreveu a experiência  como «muito dura e exigente», mas garantiu que «é para repetir».

«Quem se quiser esforçar e levar a sério, esta prova leva-nos ao limite. É uma prova de superação, tal como é a vida de um bombeiro. Aqui podemos ver até onde podemos ir e conhecermo-nos melhor e nós próprios», afirmou.

Entre os participantes estrangeiros esteve Araújo Beatriz, bombeira lusodescendente que repetiu a experiência iniciada o ano passado, integrada num grupo de cinco bombeiros provenientes de Wisches, localidade próxima de Estrasburgo, em França.

«Os meus pais são de Braga e já conheço os escadórios do tempo de criança, quando vinha aqui ao Bom Jesus com os meus avós. Para mim tem um significado especial», contou.

Este ano, venceu a prova Álvaro Martins, bombeiros do Regimento de Sapadores do Porto. Fez a subida em 5 minutos e 25 segundos, mais dois segundos que o vencedor da edição de 2025, detentor do recorde.

Na competição feminina, o primeiro lugar foi para Ana Tavares, dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Paiva. Subiu os 566 degraus dos Escadórios do Bom Jesus em 7 minutos e 55 segundos.